Acenos de Raquel Lyra a Lula entram no cálculo do PT-PE sobre 2026
Gestos públicos da governadora de Pernambuco passam a contar por membros do PT mais alinhados à gestora sobre o palanque de 2026 no Estado
atualizado
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A disputa interna no PT de Pernambuco sobre o palanque de 2026 ocorre em paralelo a um movimento cada vez mais visível da governadora Raquel Lyra (PSD) em direção ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Enquanto a sigla afirma que a definição formal de apoio só virá após o lançamento oficial das candidaturas ao Executivo estadual, lideranças petistas já reconhecem que os gestos públicos da governadora passaram a pesar no debate interno.
O presidente estadual do PT, Carlos Veras, declarou que manifestações individuais não representam a posição do partido e que a decisão será tomada apenas após um processo coletivo, em consonância com o diretório nacional. A fala ecoa a avaliação do senador Humberto Costa, que busca conter especulações e reforçar que o desfecho dependerá do debate eleitoral mais amplo.
Acenos públicos de Raquel Lyra a Lula
- 04/04/2024 – Agenda com Lula em Arcoverde. Raquel participa da inauguração/acionamento de obra hídrica e, em discurso, agradece ao presidente e ao governo federal, reforçando a parceria institucional.
- 10/03/2025 – Troca partidária. A governadora deixa o PSDB e se filia ao PSD, legenda com espaço na base do governo no Congresso — movimento interpretado como reposicionamento em direção ao Planalto.
- 02/12/2025 – Elogios a Lula em agenda no estado. Ao acompanhar compromissos do presidente em Pernambuco, Raquel exalta publicamente Lula e a “parceria” com o governo federal.
- 02/12/2025 – Gesto simbólico em Cupira (aniversário). A governadora entrega uma bandeira de Pernambuco ao presidente e diz: “Hoje é o meu aniversário, mas o presente e o reconhecimento vão para o senhor”.
Nos bastidores, porém, a leitura é de que Lyra tem avançado em direção ao Planalto por meio de sinais políticos claros. Essa percepção foi explicitada pelo deputado estadual João Paulo (PT), que afirmou que os gestos e declarações da governadora a colocam “muito mais próxima da candidatura do presidente Lula” do que de outros campos políticos.
A avaliação reforça a ideia de que, mais do que discursos formais, ações simbólicas e posicionamentos públicos vêm moldando a narrativa sobre o alinhamento da chefe do Executivo estadual.
A aproximação ocorre em um contexto de neutralidade cautelosa do presidente, que evita antecipar apoios regionais, mas não impede que a governadora busque capitalizar a relação institucional. Para membros do PT pernambucano, esse movimento adiciona uma variável relevante à equação eleitoral: ainda que não haja aliança formal, os acenos sucessivos de Raquel Lyra ao presidente passaram a ser observados como um dado concreto no debate interno da legenda.






