MPRJ: autarquia recebeu escolta armada para sacar R$ 3 milhões
A ONG era usada como empresa de fachada para lavar dinheiro proveniente de contratos fraudulentos e fictícios, segundo o MPRJ

Um dos integrantes de um esquema de corrupção em uma autarquia do Rio de Janeiro, o Instituto Rio Metrópole (IRM), recebia escolta armada nas “inúmeras vezes” que fez saques de dinheiro.
Segundo a promotora do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) Roberta Jorio, os saques totalizaram mais de 3 milhões provenientes de desvio de recursos públicos.

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Ver todasA declaração foi feita durante uma coletiva de imprensa do MPRJ, nesta quinta-feira (9/7), para detalhar sobre um esquema de corrupção e fraude no IRM. Até o momento, nove mandados de busca e apreensão foram cumpridos em endereços no estado do Rio de Janeiro, e seis estão presos.
De acordo com a promotora, a Brazilian Institute of Organics (Instituto BIO) era usada como empresa de fachada para lavar dinheiro proveniente de contratos fraudulentos e ficctícios. Caroline Soares Barros, presidente da ONG, foi nomeada como “fiscal” dos contratos fraudulentos do IRM com o instituto.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles“Essa diretora-presidente da ONG realizava inúmeros saques, que totalizaram mais de 3 milhões. Foram diversos saques, dos municípios de Teresópolis e do Rio de Janeiro, contando com o apoio de uma escolta armada que era realizada por um grupo chamado Rio Forte”, afirmou a promotora.
Ainda conforme a promotora do MPRJ, a Rioforte, empresa privada de vigilância e segurança, pertence a dois integrantes do esquema criminoso, sendo que um deles era diretor do IMR e também delegado de polícia, identificado como Franquis Dias.
Os saques em quantias milionárias foram descobertos após a presidente da ONG ser flagrada pela polícia transportando R$ 500 mil em espécie, em janeiro deste ano.
Documentos e equipamentos apreendidos com ela permitiram a identificação de 28 transferências para o Insituto BIO, que totalizou o valor de R$ 3,29 milhões.
Entenda o caso
O Instituto Rio Metrópole (IRM) é uma autarquia vinculada ao Governo do Estado do Rio de Janeiro responsável por atuar como braço técnico e executivo da Região Metropolitana do Rio de Janeiro (RMRJ).
Segundoa investigação do Grupo de Atuação Especializada de Defesa da Integridade e Repressão à Sonegação Fiscal do MPRJ, pelo menos 11 servidores do IRM usaram contratos firmados da autarquia para desviar recursos públicos por meio de um esquema.
Davi Perini Vermelho, o “Didê”, presidente do IRM, liderava o esquema de corrupção ao autorizar contratações e controlar pagamentos. Contra ele, foi cumprido um mandado de prisão preventiva e outro de busca e apreensão.
O esquema movimentou pelo menos R$ 86,28 milhões com fraude em licitação e contratações, além da lavagem de dinheiro para desviar outros recursos públicos.
Duas empresas contratadas no âmbito do esquema para “prestar” serviços públicos, recebiam os valores do IRM e, posteriormente transferiam ao Instituto BIO, empresa de fachada para sacar o dinheiro em espécie.


