MPF denuncia ex-presidente do Rioprevidência por obstrução de justiça
Denúncia também mira outros três pessoas no âmbito das investigações que apuram transações entre o Rioprevidência e o Banco Master
atualizado
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O Ministério Público Federal do Rio de Janeiro denunciou o ex-presidente do Rioprevidência Deivis Marcon Antunes, e outras três pessoas, por obstrução de justiça. Os quatro, segundo a denúncia, teriam atuado para atrapalhar investigações que apuram transações do instituto com o Banco Master, que é investigado por fraude financeira.
Segundo a peça do MPF, há indícios de que o grupo tenha sumido com provas e atrapalhado a atuação da polícia. A informação foi inicialmente revelada pelo g1 e confirmada pelo Metrópoles.
O órgão detalha que câmeras de segurança foram desligadas, imagens e documentos desapareceram e um carro de luxo teria sido levado levado do Rio de Janeiro para Santa Catarina.
Para o Ministério Público, Deivis é o responsável por coordenar as ações para sumir com as provas e atrapalhar a condução das investigações da Polícia Federal.
O ex-presidente do Rioprevidência, ainda segundo MPF, tinha conhecimento da investigação desde dezembro do último ano e, a partir de então, teria dado início às investidas para obstrução de justiça. À época, ele foi ouvido pela Polícia Civil para esclarecer o investimento de R$ 970 milhões que fez através do Rioprevidência em Letras Financeiras do Banco Master.
O Rioprevidência é uma autarquia pública independente ligada ao governo do Rio de Janeiro que tem como finalidade gerir ativos financeiros, visando o custeio de pagamentos dos proventos, pensões e outros benefícios previdenciários do estado. Ou seja, os valores investidos no Master eram ativos destes beneficiários.
Ao Metrópoles, a defesa de Deivis Marcon Antunes negou as acusações e afirmou já ter apresentado sua versão, contestando a denúncia do MPF.
Obstrução de justiça
De acordo com a denúncia, Deivis ordenou que o síndico desligassem câmaras do prédio onde ele mora e mandou que o dono da empresa de segurança responsável pelas câmeras do residencial apagassem imagens.
O MPF também diz o ex-presidente do Rioprevidência era o responsável por um apartamento localizado abaixo do seu, que seria utilizado para ocultar documentos. Além do ex-presidente do instituto, também foram denunciados:
- Rodrigo Schmitz: Empresário, que segundo o MPF, transportou objetos para outro apartamento no mesmo prédio a pedido de Deivis;
- Bruno Elias Hins: Responsável pela empresa de segurança que presta serviços de vigilância no prédio onde Deivis mora.;
- Aroldo Morais Elliot: Motorista de Deivis e responsável por levar um carro de luxo da marca Porsche para Santa Catarina.
Com a denúncia, o MPF pediu a condenação dos quatro denunciados e o pagamento de uma indenização de cerca de R$ 600 mil, além da perda de bens ligados ao caso.
