MPF aciona União por ato de Bolsonaro no bicentenário da Independência
O MPF aponta que não foram adotadas medidas para diferenciar celebrações cívico-militares da manifestação político-partidária de Bolsonaro

O Ministério Público Federal (MPF) abriu uma ação civil pública contra a União pela omissão ou adoção insuficiente de medidas necessárias para diferenciar celebrações cívico-militares da manifestação político-partidária realizada pelo então presidente Jair Bolsonaro (PL) durante o bicentenário da Independência, no Rio de Janeiro.
Nas comemorações realizadas em Copacabana, na capital fluminense, Bolsonaro, ao lado de militares, e apoiadores discursou contra o seu principal adversário na época e atual chefe do Executivo, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e teceu críticas contra a esquerda.
“Compare o Brasil com os países da América do Sul, compare com a Venezuela, compare com o que está acontecendo na Argentina e compare com a Nicarágua. Todos são amigos dos brasileiros, e brasileiros que disputam a eleição no Brasil”, declarou Bolsonaro.
O documento apresentado pelo MPF destaca que comandantes da Marinha, do Exército e da Aeronáutica não adotaram medidas “medidas claras” para garantir que a celebração não fosse utilizada como “palanque para manifestação político-partidária em prol do grupo político” de Bolsonaro.
O MPF pede a condenação da União e a reparação dos danos causados por meio da apresentação de um pedido de desculpas público. Além disso, os procuradores pedem um relatório sobre a participação dos militares no evento.
Pedido de desculpas
“O pedido de desculpas consiste no reconhecimento, pelo Estado brasileiro, de forma expressa e pública, da responsabilidade pelo caráter partidário da celebração do bicentenário da Independência do Brasil. Um momento que deveria ser de união e festa acabou sendo contaminado pela disputa política”, detalha a ação.
A celebração da independência do país, comemorada no dia 7 de setembro, ocorre normalmente na avenida Presidente Vargas. Entretanto, no ano passado, as comemorações foram transferidas para o posto seis na avenida Atlântica com a rua Souza Lima, ao lado das manifestações a favor do ex-presidente Bolsonaro, que ocorreu no posto cinco.
“ Na organização do evento, inexistia separação física suficientemente clara, salvo para fins meramente operacionais, uma vez que o palco da celebração oficial estava a poucos metros do carro de som onde existiam manifestações políticas. Cabe ressaltar, ainda, que a área ‘oficial’ recebeu a circulação não apenas de autoridades, mas também de pessoas postulantes a cargos eletivos nas eleições que se dariam em outubro do ano passado”, destaca um trecho do documento apresentado pelo MPF.

Receba no seu email as notícias de Boletim Metrópoles
Frequência de envio: Diário
Ver todas









