MP denuncia PMs suspeitos de forjar tiroteio e matar delator do PCC

Além do delator e ex-piloto da facção criminosa, dois mecânicos foram executados pelos militares. Caso ocorreu em 2023, em Goiás

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1 de 1 Imagem colorida, MP denuncia Edson Raiado e tenente-coronel por morte de piloto do PCC - Metrópoles - Foto: Reprodução/Redes sociais

O Ministério Público de Goiás (MPGO) denunciou, na terça-feira (28/4), dois policiais militares suspeitos de forjar um tiroteio que terminou com a morte de três pessoas, em 2023, na região da BR-060, entre Goiânia e Abadia de Goiás.

O tenente-coronel Edson Luis Souza Melo, conhecido como Coronel Edson Raiado, e o major Renyson Castanheira Silva foram denunciados por homicídio qualificado.

Segundo a acusação, as vítimas, dois mecânicos de aeronave e um piloto que já teve ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC), foram mortas com tiros pelas costas, sem chance de defesa.

O piloto, Felipe Ramos Morais, era o principal delator da Polícia Federal (PF) na investigação que resultou na Operação Rei do Crime, em 2020.

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Piloto Felipe fez delação premiada que ajudou a polícia a investigar o PCC
Tenente-coronel Edson Raiado
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Piloto Felipe fez delação premiada que ajudou a polícia a investigar o PCC

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Entenda o caso

  • De acordo com o MPGO, o caso ocorreu em 17 de fevereiro de 2023.
  • Os dois PMs, à época lotados no Comando de Operações de Divisas (COD), foram até uma chácara após denúncia anônima sobre tráfico de drogas com uso de helicópteros.
  • No local, os militares encontraram três homens próximos a aeronaves e uma caminhonete.
  • Ainda segundo a investigação, eles atiraram diversas vezes contra as vítimas, mesmo sem reação.
  • Edson teria disparado 12 vezes com pistola 9mm, enquanto Renyson efetuou três disparos com fuzil 5.56.

Para os promotores, há indícios claros de execução.

“Os laudos de exame cadavérico e o parecer pericial atestam que as vítimas foram atingidas por múltiplos disparos pelas costas. Especificamente em relação a Felipe e Paulo, constatou-se que sofreram disparos com trajetória fortemente ascendente, evidenciando que foram alvejados quando já se encontravam caídos e rendidos em decúbito ventral, caracterizando o emprego de recurso que impossibilitou qualquer defesa”, diz um trecho da denúncia.

A denúncia também diz que os policiais adulteraram a cena do crime. Eles teriam recolhido cápsulas de munição e movimentado os corpos para simular confronto.

Armas encontradas no local estavam intactas, sem sinais de uso, e foram localizadas dentro do veículo, distante dos corpos das vítimas.

Outro ponto destacado pela denúncia é a suposta omissão de socorro.

Segundo o órgão, o acionamento do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) ocorreu com atraso injustificado, apenas após às alterações feita pelos militares no local do crime.

Versão da PM

Na época, por meio de nota, a Polícia Militar (PMGO) afirmou que a equipe foi recebida a tiros e que houve confronto. A corporação também informou que o local funcionava como ponto de tráfico, com helicópteros, drogas e armas apreendidos.

A versão, no entanto, é contestada pela investigação, que reúne depoimentos de testemunhas e dados de georreferenciamento das viaturas, indicando inconsistências na narrativa apresentada pelos policiais.

O MPGO pediu o afastamento dos acusados das funções públicas e a proibição do porte de armas.

A PMGO, no entanto, afirmou que não foi notificada sobre a denúncia apresentada. Em nota, a corporação disse que tomará providências imediatas após ser notificada.

Delator do PCC

Morais era a principal testemunha principal na operação que investigou um esquema de lavagem de dinheiro envolvendo a liderança do PCC em imóveis e postos de gasolina em São Paulo, além de levar ao bloqueio de R$ 800 milhões em bens supostamente ligados à família de Marco Willians Herbas Camacho, conhecido como Marcola.

A delação premiada de Felipe, que continha 36 anexos, estava em fase de homologação quando ele foi morto. Após sua morte, a Justiça anulou as operações relacionadas ao caso.

O Metrópoles tenta contato com a defesa dos acusados. O espaço segue aberto para manifestações.

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