Motta pauta votação de projeto que derruba decreto de IOF para esta 4ª

Como ganhou caráter de urgência, a matéria será analisada diretamente no plenário da Câmara, sem passar por comissões

atualizado

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O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), pautou para esta quarta-feira (25/6) a votação do projeto de decreto legislativo (PDL) que derruba o decreto de autoria do governo federal que reajusta as alíquotas do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). Como ganhou caráter de urgência, a matéria será analisada diretamente em plenário, sem passar por comissões.

O requerimento de urgência foi aprovado no último dia 16, por 346 votos a favor. Foram registrados ainda 97 votos contrários.

A aprovação da urgência da matéria ocorreu em meio ao impasse entre Legislativo e Executivo causado pela elevação das alíquotas do IOF. O mérito ainda não tem data para ser apreciado pela Casa Baixa.

Nesta semana, antes da votação da urgência, o presidente da Câmara afirmou a jornalistas que o governo se comprometeu em apresentar propostas de corte de despesas, mas sem sinalização de recuo no decreto do IOF.

Congresso rejeitou medidas

O governo havia anunciado a alta no IOF no fim de maio, para arrecadar mais R$ 20 bilhões e atingir a meta fiscal deste ano. A medida teve forte reação negativa do mercado e do Congresso.

Diante da repercussão, o governo negociou com parlamentares e ficou acordado que o aumento das alíquotas seria reduzido e que seria enviada uma medida provisória (MP) com outras alternativas de arrecadação.

O governo, então, propôs um pacote de medidas fiscais para “recalibrar” a elevação das alíquotas do IOF e garantir o déficit zero, além de editar um novo decreto.


Medidas fiscais

As medidas propostas pelo governo para compensar o recuo no IOF e para atingir a meta fiscal deste ano incluem:

  • Cobrar alíquota de 5% sobre os títulos isentos de Imposto de Renda, como LCI, LCA, CRI e CRA.
  • Reduzir em 10% os benefícios tributários.
  • Aumentar a taxação das bets dos atuais 12% para 18%.
  • Acabar com a taxa de 9% da Contribuição Social sobre Lucro Líquido (CSLL) das empresas. Atualmente, a CSLL tem alíquotas de 9%, 15% e 20%.
  • Fixar em 17,5% a alíquota de Imposto de Renda sobre rendimentos de aplicações financeiras. Hoje, a cobrança é feita de forma escalonada, de 15% a 22,5% — que varia conforme o prazo de investimento.
  • Elevar de 15% para 20% a cobrança do IR sobre a distribuição dos chamados “juros sobre capital próprio”, o JCP.

Recuo e crítica

Entretanto, Hugo Motta recuou. Tendo antes classificado a reunião com ministros do governo como um encontro “histórico”, passou a criticar o pacote fiscal costurado com o governo e não garantiu a aprovação.

O recuo deu gás à oposição que, com apoio inclusive de deputados da base do governo, encampou a defesa da aprovação de um projeto de decreto legislativo que revogasse as elevações nas alíquotas do IOF.

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