Motta diz que cumpriu “todos os protocolos” ao deixar voo alvo da PF

PF investiga entrada de bagagens sem fiscalização em voo com autoridades e suspeita de irregularidades envolvendo auditor da Receita Federal

atualizado

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Presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), fala ao Metrópoles sobre agenda da Casa e sobre as eleições de 2026
1 de 1 Presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), fala ao Metrópoles sobre agenda da Casa e sobre as eleições de 2026 - Foto: LUIS NOVA/ESPECIAL METRÓPOLES @LuisGustavoNova

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou que cumpriu “todos os protocolos e determinações estabelecidas na legislação aduaneira” ao desembarcar de um voo que é alvo de investigação da Polícia Federal (PF). Em nota enviada ao Metrópoles, ele disse ainda que vai “aguardar a manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR)”.

A PF apura se um auditor da Receita Federal, identificado como Marco Antônio Canella, cometeu os crimes de prevaricação e descaminho ao permitir a entrada no país de bagagens sem fiscalização. O caso envolve um voo que transportava Motta e o senador Ciro Nogueira (PP-PI).

De acordo com a investigação, cinco volumes levados pelo piloto José Jorge de Oliveira Júnior teriam entrado no Brasil sem passar por raio-x na noite de 20 de abril de 2025. O voo retornava da ilha de São Martinho, descrita pela corporação como um paraíso fiscal no Caribe.

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Senador Ciro Nogueira (PP-PI) é apontado por Vorcaro como "um dos grandes amigos da vida"
O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), encaminhou à CCJ a PEC apresentada pela deputada Erika Hilton (PSol-SP)
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A aeronave pertence ao empresário Fernando Oliveira Lima, conhecido como “Fernandin OIG”, apontado como operador de plataformas de apostas on-line. Ele já foi ouvido pela CPI das Bets e negou ligação com o chamado “jogo do tigrinho”.

Além de Motta e Nogueira, estavam a bordo, de acordo com a PF, os deputados Dr. Luizinho (PP-RJ) e Isnaldo Bulhões (MDB-AL). A lista de passageiros incluía ainda o ex-vereador de Teresina Victor Linhares, alvo da Operação Carbono Oculto, que investiga ligações entre o crime organizado e o setor de combustíveis.

O que dizem os outros envolvidos

Ao Metrópoles, Fernando Oliveira Lima afirmou ter conversado com José Jorge de Oliveira Júnior. Segundo ele, o piloto disse que os volumes apontados pela Polícia Federal eram “itens pessoais” e que o desembarque ocorreu dentro dos procedimentos normais. A reportagem também procurou o senador Ciro Nogueira, mas não obteve resposta até o momento.

Marco Antônio Canella, Dr. Luizinho e Isnaldo Bulhões foram acionados para se pronunciarem. Luizinho afirmou que não vai se manifestar. Até a publicação, os demais não haviam respondido. O piloto José Jorge de Oliveira Júnior não foi localizado.

Desembarque sem fiscalização

Imagens de segurança do São Paulo Catarina Aeroporto Executivo Internacional mostram a sequência do desembarque. Às 21h32, o piloto passou pelo raio-x com duas bagagens. Minutos depois, por volta das 21h40, retornou com sete volumes e contornou o detector de metais, sem submeter os itens à inspeção.

Segundo a PF, o auditor fiscal Marco Antônio Canella acompanhou a movimentação e permitiu a passagem das bagagens sem fiscalização. Registros também indicam falhas em outros procedimentos, como a liberação de garrafas e eletrônicos dentro das malas.

A lista dos itens levados inclui sacolas, caixas, uma mala de viagem, uma mochila e até um edredom.

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Bagagens que não passaram por fiscalização no desembarque do piloto José Jorge de Oliveira Júnior, segundo a PF
Imagens do desembarque do piloto José Jorge de Oliveira Júnior, no São Paulo Catarina Aeroporto Executivo Internacional
Bagagens que não passaram por fiscalização no desembarque do piloto José Jorge de Oliveira Júnior, segundo a PF
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Bagagens que não passaram por fiscalização no desembarque do piloto José Jorge de Oliveira Júnior, segundo a PF

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Bagagens que não passaram por fiscalização no desembarque do piloto José Jorge de Oliveira Júnior, segundo a PF
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Imagens do desembarque do piloto José Jorge de Oliveira Júnior, no São Paulo Catarina Aeroporto Executivo Internacional
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Imagens do desembarque do piloto José Jorge de Oliveira Júnior, no São Paulo Catarina Aeroporto Executivo Internacional

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Caso está no STF

Ao analisar a investigação da PF, em janeiro deste ano, a procuradora da República Ana Flávia Nóbrega Cavalcanti Ugatti afirmou que não era possível descartar a participação de autoridades com foro privilegiado nas condutas ilícitas investigadas.

“Não há, portanto, como descartar a possibilidade de envolvimento de um ou mais passageiros detentores de prerrogativa de foro nos delitos sob apuração nos presentes autos ou em outras práticas delitivas que porventura vierem a ser reveladas no curso das investigações (…). É de rigor que sejam os presentes autos remetidos ao Supremo Tribunal Federal para apreciar se os indicativos de envolvimento de parlamentares reunidos nos presentes autos são suficientes para atrair a sua competência”, disse.

Dois meses depois, em março, a juíza Carolina Castro Costa, da 1ª Vara Federal de Sorocaba, determinou o envio do caso ao STF.

Agora, a Suprema Corte deverá decidir se é competente para conduzir o processo. O relator, ministro Alexandre de Moraes, solicitou manifestação da PGR na semana passada.

A Polícia Federal destacou que não é possível dizer “categoricamente a quem os volumes pertencem ou seu conteúdo”. Ao defender que o caso fosse enviado ao STF, o delegado Flávio Vieitez Reis apontou que o avanço da investigação pode indicar o envolvimento de autoridades em “condutas ilícitas”.

“Salvo melhor juízo, entendo ser temerária a continuidade das investigações sem a apreciação de tal situação pelo Poder Judiciário”, escreveu em janeiro de 2026.

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