Motel e afogamentos: relatos de ex-enteada de Jairinho pesou em prisão
O ex-vereador foi condenado a 43 anos, 9 meses e 20 dias de prisão pela morte do menino Henry Borel, que era enteado dele
atualizado
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O depoimento de uma ex-enteada do ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Jairinho, foi um dos fatores que pesou para a conclusão do júri que o condenou a 43 anos, 9 meses e 20 dias de prisão pela morte do menino Henry Borel. A jovem, que hoje tem 18 anos, foi vítima de agressões quando tinha cinco anos de idade.
De acordo com o Fantástico, a adolescente foi vítima de agressões durante o período que a mãe dela se relacionou com Jairinho. Em seu depoimento, a jovem relatou que era levada para motéis, onde era afogada na piscina pelo ex-vereador.
“Ele ficava me afundando até eu encostar no chão. Aí me soltava, eu respirava e ele me afogava de novo com o pé dele me empurrando até o chão várias vezes”, afirmou ao ser questionada sobre os episódios que sofreu na infância.
Os relatos foram utilizados pelo júri para sustentar a tese de que as agressões contra Henry Borel não eram um fato isolado e que Jairinho tinha um histórico de agressões contra crianças.
Outros episódios também foram relatados pela vítima. Segundo ela, em uma das ocasiões, Jairinho lesionou seu braço após apertá-lo com força. A vítima precisou imobilizar o membro com gesso.
A mãe da vítima não sabia das agressões e, em depoimento, afirmou que só ficou sabendo dos episódios cerca de um ano após o término do relacionamento com Dr. Jairinho. “Ele falava que, se eu contasse para minha mãe, ela ia ficar muito triste“, explicou a jovem.
A mulher, de acordo com relato aos jurados, disse que tomou conhecimento das agressões após a filha relatar os episódios em um dia que assistiam a uma reportagem sobre violência infantil. “Ela começou a chorar e falou que ‘ele fazia isso comigo’. Ela falou que ele batia, batia na cabeça dela, torcia o braço dela”, contou a mãe da jovem.
Julgamento de Dr. Jairinho
O júri responsável pelo julgamento da morte de Henry Borel, no 2° Tribunal de Justiça da Capital, no Rio de Janeiro, declarou o ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Dr. Jairinho, culpado pelos crimes de homicídio duplamente qualificado, prática de tortura e coação no curso do processo. O veredito é da última quinta-feira (4/6), e a defesa do ex-vereador recorreu da decisão.
A mãe do menino, Monique Medeiros, teve a acusação de homicídio doloso desclassificada para homicídio culposo, quando não há intenção de matar. Ela também foi condenada por omissão em relação às torturas sofridas pelo filho.
A decisão foi divulgada já na madrugada desta quinta-feira (4/6), ao fim do 10° dia de julgamento. A sentença de Jairinho foi de 43 anos, 9 meses e 20 dias de reclusão. Monique recebeu o perdão judicial pelo crime de homicídio. Pelo crime de omissão, a pena recebida por ela foi de 1 ano e 4 meses, mas, como já cumpriu tempo de prisão preventiva, a pena foi considerada encerrada.