Morte de Boechat: vídeos indicam que piloto tentou pouso de emergência

Segundo especialista, esse tipo de procedimento só é realizado quando não se tem mais controle da aeronave

MARCELO GONCALVES/SIGMAPRESS/ESTADAO CONTEUDOMARCELO GONCALVES/SIGMAPRESS/ESTADAO CONTEUDO

atualizado 13/02/2019 8:49

As imagens divulgadas até o momento indicam, segundo o coordenador de Engenharia Aeronáutica da Pontifícia Universidade Católica (PUC) de Minas, Luiz Henrique Santos, que o piloto tentava realizar pouso de emergência em uma das vias da Rodovia Anhanguera no acidente que matou o jornalista Ricardo Boechat, de 66 anos, e o próprio comandante do voo, Ronaldo Quattrucci.

Segundo o especialista, o piloto somente faz pouso de emergência quando não se tem mais controle da aeronave, pois o indicado é pousar no local mais plano e desabitado possível. Além disso, a “curva” feita pouco antes de chegar ao solo também indica que Quattrucci iria “ajustar para o pouso”.

Vídeo mostra momento exato da queda do helicóptero que matou Boechat. Veja:

“Aquele helicóptero é extremamente robusto, não é comum apresentar falhas”, ressalta. De acordo com Santos, a falha pode ter origem no projeto e na manutenção.

Por não apresentar fumaça antes de atingir o solo, pelo menos conforme as imagens divulgadas até agora, o professor acredita que o problema pode ter ocorrido no motor principal, o que impacta na hélice maior da cabine. Outra hipótese é a de que o contratempo tenha ocorrido no sistema hidráulico, o que dificultaria comandar a aeronave. “Fica muito mais difícil controlar o helicóptero.”

O docente considera que o choque com o caminhão foi o elemento que impediu o pouso de ser bem-sucedido. “O piloto deve ter visto que havia pedágio perto e pensou que os veículos não estariam em alta velocidade, o que tornaria menos arriscado.”

Ele ressaltou ainda que, para os padrões da área, a aeronave, uma Bell Jet Ranger, prefixo PT-HPG, não é considerada ultrapassada, mesmo sendo de 1975. O helicóptero tinha capacidade para transportar cinco pessoas, estava com a declaração anual de inspeção de aviação válida até maio deste ano e com o certificado de aeronavegabilidade em vigor até maio de 2023, com base em dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).

O equipamento pertencia à empresa RQ Serviços Aéreos Especializados, cuja sede fica no Tatuapé, zona leste, com frota de quatro aeronaves especializada em filmagens, fotografias e reportagem. A companhia não tinha aval para o transporte remunerado de passageiros, segundo a Anac. Quattrucci, que morreu no desastre, era sócio-proprietário da empresa. A Anac, Aeronáutica e Polícia Civil investigam o que provocou a tragédia.

Vida e Carreira
Ricardo Boechat era apresentador do Jornal da Band e da rádio BandNews FM, além de ser colunista da revista IstoÉ. O âncora trabalhou nos jornais O Globo, O Dia, O Estado de S. Paulo e Jornal do Brasil.

Na década de 1990, teve uma coluna diária no Bom Dia Brasil, na TV Globo, e atuou no Jornal da Globo. Foi ainda diretor de jornalismo da Band e passou pelo SBT.

Ao longo da carreira, ganhou três vezes o Prêmio Esso e foi o único jornalista a vencer em três categorias o Prêmio Comunique-se (Âncora de Rádio, Colunista de Notícia e Âncora de TV).

Também foi eleito o jornalista mais admirado na pesquisa do site Jornalistas&Cia em 2014, que elencou os 100 principais profissionais do mercado.

Filho de diplomata, Ricardo Boechat nasceu em 13 de julho de 1952, em Buenos Aires. O pai estava a serviço do Ministério das Relações Exteriores na Argentina, na época. O jornalista deixa a mulher, Veruska, e seis filhos.

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