Monique é denunciada por falsidade ideológica: “Mentia nos hospitais”

"A falsidade ideológica se estabelece quando Monique leva Henry aos hospitais e mente sobre o motivo do atendimento", diz MP em denúncia

atualizado 06/05/2021 18:08

MoniqueReprodução/TV Globo

A professora Monique Medeiros, mãe do menino Henry Borel, de 4 anos, foi denunciada à Justiça por falsidade ideológica, nesta quinta-feira (6/5), pelo fato de, em 13 de fevereiro – data de um dos episódios de tortura anterior ao dia da morte de Henry –, ter prestado declaração falsa no Hospital Real D’Or, em Bangu. A decisão é do promotor Marcos Kac, do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ). A denúncia ocorreu mesmo sem indiciamento da polícia por esse crime.

“A falsidade ideológica se estabelece quando Monique leva Henry aos hospitais e mente sobre o motivo do atendimento, dizendo que foi queda da cama, mesmo sabendo que era fruto do espancamento”, disse o promotor.

Kac ainda diz que Monique, na condição legal de “agente garantidora”, “se omitiu de sua responsabilidade, concorrendo eficazmente para a consumação do crime de homicídio de seu filho, uma vez que, sendo conhecedora das agressões que o menor de idade sofria do padrasto e estando ainda presente no local e dia dos fatos, nada fez para evitá-las ou afastá-lo do nefasto convívio” com seu namorado.

Segundo o promotor, cartas de Monique foram consideradas, mas não há no curso da investigação nada que aponte para coação de Jairinho contra Monique. “Ela fazia o que queria, estava onde queria e ele não a controlava como ela diz. Há diálogo por exemplo, em que ele pergunta onde ela estava e ela o informa que estava na igreja, na missa de sétimo dia da criança. Ele, corréu, nem lembrou da missa. E nem sabia onde ela estava.”

“Em todas as oportunidades em que eles (Jairinho e Henry) se trancaram, em seguida o garoto apresentava queixas de dores ou lesões. E disso tudo a mãe sabia e nada fez”, acrescenta o promotor.

Para Kac, “ali havia três pessoas numa casa. Uma delas, um homem com rotina de agressões. Outra não está mais aqui para contar a história e na qual foram encontradas 23 lesões. Havia uma rotina de tortura. Isso está mais do que provado”, finaliza.

O prazo da prisão temporária de Jairinho e Monique, caso não seja convertida em preventiva, termina nesta sexta-feira.

O casal responde por coação no curso do processo, intimidação de testemunhas, manipulação de depoimentos e fraude processual. O promotor ainda denunciou o casal à Justiça por tortura qualificada e homicídio triplamente qualificado contra a criança.

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