Milionário investigado por “pirâmide” usou laranjas em frota de carros de luxo

Preso pela PF por fraude, o ex-garçom Glaidson Acácio dos Santos é investigado pela Polícia Civil do RJ por movimentar R$ 7 bilhões

atualizado 26/08/2021 13:42

AudiReprodução

Rio de Janeiro – Preso pela Polícia Federal nesta quarta-feira (25/8) por fraude com o golpe financeiro conhecido como “pirâmide”, o ex-garçom Glaidson Acácio dos Santos também é investigado pela Polícia Civil do Rio por movimentar R$ 7 bilhões com as transações financeiras de sua empresa.

Chamou atenção dos investigadores ainda o patrimônio indiretamente associado a Glaidson Santos, como uma Lamborghini Urus, avaliada em cerca R$ 2,5 milhões no mercado brasileiro de automóveis.

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A frota inclui ainda modelos das marcas BMW, Land Rover, Mercedes, Toyota e Tesla. Somados os veículos alcançam um valor acima de R$ 5 milhões.

De acordo com a investigação do Departamento-geral de Combate à Corrupção, ao Crime Organizado e à Lavagem de Dinheiro e do Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado (do Ministério Público do Estado do Rio), para não chamar atenção, Glaidson Santos teria deixado os certificados de propriedade de todos veículos em nome de terceiros, os chamados “laranjas”.

A principal empresa de Glaidson é a GAS Consultoria, situada em Cabo Frio, na Região dos Lagos do estado do Rio.

Pirâmide e criptomoedas

Para cometer as fraudes, ele oferecia investimentos com lucro de 10% ao mês – em transações financeiras baseadas no modelo de golpe conhecido como pirâmide – que se baseia em atrair um número crescente de investidores com a promessa de benefícios exponenciais em um modelo de operação insustentável.

Outra frente de negócios de Glaidson sob investigação da polícia do Rio são os investimentos no mercado de criptomoedas.

As fraudes resultaram na operação Kryptos deflagrada nesta quarta-feira (25/8) pela Polícia Federal. Foram apreendidos aproximadamente R$ 150 milhões em moeda digital. Foram localizadas na ação contas digitais que somam 591 bitcoins. Cada bitcoin é cotado em cerca de R$ 255 mil.

Só na casa do principal alvo, o ex-garçom , na Barra da Tijuca, na zona oeste, a  Polícia Federal encontrou sacolas de dinheiro que somavam mais de R$ 13 milhões.

No total, 21 carros de luxo foram apreendidos em uma oficina, em Cabo Frio.

Segundo a Polícia Civil, Claidson procurava ser discreto nas redes sociais. Mas gostava de passeios de lanchas pela Região dos Lagos, morava em casa avaliada em R$ 9 milhões, em Cabo Frio, e gostava de festas de arromba, como a comemoração de seu aniversário em fevereiro com direito a show do cantor sertanejo João Gabriel, em Angra dos Reis, Região da Costa Verde.

De garçom a empresário

Em 2014, Glaidson trabalhava como garçom com salário de R$ 800. A reviravolta aconteceu quando passou a operar no mercado de investimentos no ano seguinte quando criou a GAS Consultoria. Hoje, ele é sócio de um total de quatro empresas, sendo duas no Rio e outras duas em São Paulo.

Glaidson teve a prisão preventiva decretada pela Justiça Federal com outras seis pessoas, entre elas, sua mulher e sócia a venezuelana Mirelis Yoseline Diaz Zerpa.

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