Após críticas, Salles e Ernesto Araújo comemoram dados do Inpe
Ministros do governo Bolsonaro foram críticos da atuação do instituto e negaram aumento de queimadas recentemente

Os ministros do Meio Ambiente, Ricardo Salles, e das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, comemoraram dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). A tabela mostra que os focos de incêndios registrados em setembro deste ano na Amazônia é o menor desde 2013, quando o país era governado pela presidente Dilma Roussef (PT).
No último mês foram registrados 19,9 mil focos de incêndio na Amazônia. No mesmo mês de 2017, o índice registrava 36,5 mil focos. Em 2013, por sua vez, foram registrados 16,7 mil focos. “Menor número de queimadas para o mês de setembro desde 2013”, destacou Salles, em rede social, ao compartilhar os números.
Ernesto Araújo, por sua vez, aproveitou a oportunidade para reafirmar a soberania do país. “Brasil prova que tem totais condições de cuidar da Amazônia. Incêndios estão sendo debelados, atingindo níveis muito inferiores aos da era Lula”, escreveu, nessa quarta-feira (02/10/2019), também em rede social.
Os dados comemorados por ambos os ministros, contudo, se referem apenas à Amazônia. O número de focos de incêndio no Cerrado dobrou no último mês, na comparação com setembro do ano passado. De 1º a 30 de setembro deste ano, foram 22.989 focos, ante 11.467 no mesmo período do ano passado.
Salles e Araújo foram críticos, outrora, dos dados do Inpe, sobretudo quando registraram aumento do número de desmates e de queimadas no atual governo. Ricardo Galvão, então diretor do instituto, sob alçada do ministro da Ciência, Marcos Pontes, chegou a ser exonerado ante pressão do governo Bolsonaro.
No final de julho, Salles disse que os números do Inpe sobre desmatamento não refletiam a realidade. Semanas depois, o ministro do Meio Ambiente afirmou que o governo contrataria um novo sistema de monitoramento por satélite.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesO chanceler brasileiro, contudo, negou, em setembro, que houve aumento do desmatamento no país, apesar do mesmo Inpe ter registrado uma alta. Ele disse não acreditar em aquecimento global, que o Brasil não está queimando a Amazônia e que foi criada uma “ditadura climática” que impede o debate.
Araújo afirmou ainda, em outra ocasião, que o ex-diretor do Inpe, Ricardo Galvão, mentiu sobre os dados de desmatamento e por isso teria sido demitido. “Foi uma enorme distorção do dado científico o apresentado ao público”, acusou o chanceler.



