Vieira e Greer: Brasil e EUA estão dispostos a negociar novo tarifaço
Chanceler brasileiro se encontrou rapidamente com Jamieson Greer às margens da cúpula da OCDE, que acontece na França
atualizado
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O ministro Mauro Vieira teve breve conversa com Jamieson Greer, o representante do comércio exterior dos Estados Unidos, nesta quarta-feira (3/6), em Paris, na França. No encontro, os dois falaram sobre a necessidade de manter os diálogos acerca das tarifas anunciadas pelos EUA contra produtos brasileiros.
Greer é o chefe do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês), que nesta semana concluiu duas investigações comerciais contra o Brasil e propôs a aplicação de tarifas para determinados produtos nacionais.
A primeira prevê 25% de taxas por práticas comerciais desleais, e a segunda, 12,5% de taxas por uso do trabalho forçado na mão de obra brasileira. As investigações são baseadas na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA.
O anúncio foi feito ainda em um momento que o Brasil mantém conversas com os Estados Unidos para esclarecer questionamento do país acerca das investigações. Neste sentido, Greer comunicou a Vieira que tem mantido um contato fluido com Brasil e que pretende manter esses diálogos.
No breve encontro com o representante norte-americano, o chanceler brasileiro deixou claro que o Brasil possui a mesma disposição para negociar com os Estados Unidos desde que as investigações foram abertas, ainda em julho de 2025. Vieira afirmou ainda que é necessário “intensificar as negociações” nesse momento em que as tratativas ainda estão dentro do prazo acordado com os EUA.
De acordo com interlocutores que presenciaram o encontro, a conversa foi rápida e não se tratou de uma reunião. Vieira e Greer se falaram às margens da Cúpula da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que ocorre em Paris e que os dois participam.
Desconforto com o Brasil
As taxas anunciadas pelos Estados Unidos contra o Brasil causaram desconforto no governo brasileiro. A taxação de 25%, baseada nas investigações da Seção 301, por exemplo, só foram concluídas contra o Brasil, embora mais de 70 países sejam investigados.
O anúncio ocorreu em um momento que os dois países ainda discutem a investigação aberta por Washington. O Brasil já teria apresentando quatro documentos com esclarecimentos que contestam as reclamações pela parte norte-americana, mas que não foram levados em consideração no relatório que sugere as taxas ao Brasil.
Por outro lado, interlocutores do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) apontam um incômodo em Greer com o Brasil. Para autoridades do governo brasileiro consultados sob reserva pelo Metrópoles, o chefe do USTR acompanhou a reunião de Lula e Donald Trump.
Na conversa ocorrida no Salão Oval da Casa Branca, Greer chegou a mencionar o tema das tarifas. Ele teria sido ainda a pessoa mais enfática entre presentes sobre a condução do comércio brasileiro, segundo relato de auxiliares que acompanharam o encontro.
Auxiliares do presidente Lula afirmam ainda que Greer teria ficado irritado com o Brasil em uma debate na Organização Mundial do Comércio (OMC) sobre a prorrogação da moratória do comércio eletrônico.
O Brasil, junto à Turquia, se opôs à proposta, o que dificultou um acordo no órgão. Em meio ao impasse com os EUA, Greer acusou os países de travarem as discussões da OMC.





