Master superdimensionou ativos em processo de compra pelo BRB, diz BC

Relatório enviado pelo Banco Central ao TCU diz que o Banco Master apresentou informações “incongruentes” que impediram compra pelo BRB

atualizado

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1 de 1 Banco Master - Metrópoles - Foto: Michael Melo/Metrópoles

O Banco Central afirmou, em relatório enviado ao Tribunal de Contas da União (TCU), que o Banco Master superdimensionou ativos e cometeu “erros básicos” em projeções no processo de aquisição da instituição pelo Banco de Brasília (BRB).

Segundo a autoridade monetária, as informações “incongruentes” persistiram nos documentos encaminhados pelo Master mesmo após sucessivos pedidos de correção e ajustes.

A compra do Banco Master pelo BRB foi negada pelo BC em setembro do ano passado. A decisão, unânime na diretoria colegiada, barrou a operação por ausência de documentos que comprovassem a “viabilidade econômico-financeira” do negócio.

Ao longo da análise, o BC alertou reiteradamente o Master e o BRB sobre falhas nas documentações enviadas. Foram feitos diversos pedidos de ajustes e complementações. Ainda assim, segundo a própria autoridade monetária, permaneceram “dúvidas importantes”.

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O relatório encaminhado ao TCU apontou dificuldades para avaliar a viabilidade financeira da operação, em razão de problemas nos balanços apresentados pelo Banco Master.

Entre os pontos destacados, o BC afirmou que o Master superdimensionou seus ativos. Em maio de 2025, dois meses após o anúncio da operação, o banco informou que seriam mantidos, na transação com o BRB, R$ 25 bilhões em ativos.

Pouco depois, nas projeções utilizadas para avaliar a viabilidade econômico-financeira do negócio, o Master passou a apresentar ativos superiores a R$ 31 bilhões.

“Na prática, os ativos das projeções estavam superdimensionados, o que ocasionaria projeções de receitas e resultados irreais e baseados em ativos que não mais fariam parte da operação, comprometendo, consequentemente, qualquer conclusão pela viabilidade da transação”, afirmou o Banco Central.

O BRB e o Banco Master

  • Março de 2025: o Conselho do BRB aprovou a compra de 58% do Banco Master com um valor estimado de R$ 3 bilhões.
  • Maio de 2025: a Superintendência-Geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprova a transação.
  • Setembro de 2025: a Diretoria do BC indefere a compra do Master pelo BRB por sucessivas inconsistências contábeis.
  • Novembro de 2025: BC liquida o Master e Vorcaro é preso na operação Compliance Zero. Na mesma operação, o presidente e um diretor do BRB são afastados.

Em um dos pedidos de ajuste, em julho de 2025, o Departamento de Organização do Sistema Financeiro do BC afirmou a Vorcaro que as planilhas apresentadas não permitiam “minimamente aferir quais são os valores a serem mantidos na transação”. Segundo o ofício, havia “erros de somas” bilionárias no material.

“Há relevantes falhas e inconsistências diversas, incluindo erros de somas (da ordem de bilhões de reais), ativos que não batem com os passivos, saldos com incongruência entre totais e subtotais, de modo que se faz necessário promover revisão de todos os valores e encaminhar a esta Autarquia novos quadros e planilhas sem erros, para data-base mais atualizada possível”, argumentou.

O superdimensionamento de balanços do Master já havia sido apontado pelo presidente interino da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), João Accioly. Em audiência no Senado, ele afirmou que a instituição de Daniel Vorcaro atuava para inflar fundos nos quais investia.

“Tinha um alinhamento perverso de incentivos entre gestores e investidores para manter uma ficção contábil. É um engana que eu gosto. Por que que ele gosta de ser enganado? Porque ele coloca, no balanço dele, que ele tem um balanço muito mais robusto e isso permite que ele siga emitindo CDBs. Lá, para o Banco Central, parece que ele tem uma solidez que não tinha”, disse Accioly.

Pedidos não atendidos

O Banco Central relatou ao TCU que, mesmo após questionamentos, o Master apresentou novas planilhas de projeções que também continham “saldos de ativos acima do perímetro da transação”.

“Mais uma vez mais, comprometia o exame da viabilidade. Além disso, as projeções também se apresentavam com inconsistências importantes, incluindo ativos (títulos públicos federais) com saldos negativos, a título de exemplo”, afirmou.

Segundo o BC, as sucessivas “inconsistências” impediram a “evidenciação da viabilidade econômico-financeira do empreendimento”.

“Não obstante diferentes oportunidades concedidas aos pleiteantes, permaneceram informações inconsistentes e contraditórias. […] Tratava-se, pois, de informações divergentes, não sendo possível saber, com segurança, o que efetivamente integraria a negociação em termos patrimoniais. Essa situação mostrava-se como fator impeditivo à evidenciação da viabilidade econômico-financeira”, concluiu a autoridade monetária.

Erros básicos

O Banco Central afirmou ainda que o pedido inicial de análise da operação continha “erros básicos” nos cálculos de lucro líquido do Banco Master.

Segundo a autoridade monetária, foram solicitados esclarecimentos, mas as respostas apresentadas mantiveram “graves inconsistências e incongruências de informações”.

Na avaliação do BC, as falhas nas projeções poderiam colocar em “risco todo o patrimônio, a solidez e a estabilidade financeira do BRB”.

“Essas relevantes incertezas indicavam o não atendimento ao requisito de viabilidade econômico-financeira. O fato é que, sem que se saiba com adequada segurança o que está compondo o patrimônio a ser mantido no empreendimento e seu real valor, não se faz possível afirmar que se apresenta viável”, disse.

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