BC mandou 4 pedidos de esclarecimento ao BRB e ao Master antes de barrar compra
Detalhamento do número de ofícios enviados aos dois bancos está em relatório do TCU enviado a comissão do Senado
atualizado
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O Banco Central (BC) mandou quatro pedidos de esclarecimento ao Banco de Brasília (BRB) e ao Banco Master, do banqueiro Daniel Vorcaro, antes de barrar a compra que seria feita pelo banco público do Distrito Federal.
O detalhamento sobre os ofícios está em relatório do Tribunal de Contas da União (TCU) enviado à Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado.
Segundo o documento, foram feitas quatro solicitações e/ou exigências aos dois bancos a fim de esclarecer o negócio, e em todas ainda haviam problemas relevantes, como a apresentação de ativos bilionários sem identificação clara.
O processo da tentativa de compra do Master pelo BRB chegou ao BC em 28 de março de 2025. No documento do TCU, aparecem as datas em que foram solicitados esclarecimentos para as duas instituições, sem o detalhamento do conteúdo dos pedidos. Veja a cronologia:
- 1º ofício: 11 de abril — foram constatadas inconsistências “relevantes” nas projeções econômicas e falta de informações adequadas sobre o rol de ativos e de passivos que seriam mantidos na operação com o BRB e enviado um pedido de esclarecimento, que voltou sem todas as respostas;
- Respostas: 28 e 30 de abril, 6 de maio, 11 e 17 de junho — nestas datas, foram enviadas novas documentações parciais para tentar contemplar o que foi solicitado pelo BC;
- 2º ofício: 27 de junho — nesta data, foi expedido um segundo ofício pedindo informações, entre elas o relatório conclusivo da due diligence, que é uma auditoria minuciosa realizado por investidores ou empresas antes de firmar contratos, que até então não havia sido apresentada;
- Respostas: 8 e 9 de julho — foram apresentadas respostas com falhas, inconsistências e omissões;
- Em 18 de julho a diretoria tomou conhecimento da situação do processo — nesta data, foi levado ao conhecimento da Diretoria Colegiada do BC o estado em que se encontrava o processo;
- 3º ofício: 23 de julho — o BC deu nova oportunidade de apresentação de documentos aos dois bancos;
- Resposta: 29 de julho — instituições apresentam novos documentos, fazendo referência, porém, há anexos que não haviam sido encaminhados;
- 4º ofício: 31 de julho — a autoridade monetária dá mais uma oportunidade para os bancos apresentarem os anexos inexistentes;
- Última resposta: 5 e 6 de agosto —últimos documentos foram apresentados pelas instituições.
O processo havia começado com 2,6 mil páginas e, nos últimos documentos enviados em agosto de 2025, chegou a 5,2 mil páginas. Pouco menos de um mês depois, em 3 de setembro, a diretoria colegiada do BC decidiu barrar a compra do Master pelo BRB.
A primeira fase da Operação Compliance Zero, que investiga o caso das fraudes financeiras envolvendo o Master e o BRB, foi realizada dois meses depois, em 18 de novembro. Naquela primeira fase, Daniel Vorcaro foi preso e liberado com tornozeleira eletrônica. Em março deste ano, o banqueiro foi preso novamente na terceira fase da operação.
Em janeiro, o diretor de Fiscalização do BC, Ailton de Aquino Santos, já havia dito em depoimento para a Polícia Federal (PF) que o Banco Central fez pedidos de esclarecimento aos bancos, sem detalhar quantas vezes.








