Master: Gonet responde Mendonça após críticas em prisão de Vorcaro
Ministro disse “lamentar” falta de urgência da PGR em desdobramentos da investigação. Gonet disse que não há prazo estabelecido em lei
atualizado
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O procurador-geral da República, Paulo Gonet, respondeu às críticas do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), pela atuação na investigação sobre o caso do Banco Master. Em petição encaminhada à Corte nesta sexta-feira (6/3), o PGR ressaltou que a análise de casos criminais pelo órgão não pode ser considerada “uma formalidade vazia de importância” e afirmou que o prazo assinado pelo relator não é estabelecido em lei — surgindo “da impressão” sobre “o tempo que lhe pareceu ideal”. A resposta está sob sigilo nos autos do processo, no qual o Metrópoles teve acesso.
Nesta semana, Mendonça criticou a atuação da Procuradoria ao cobrar urgência nas investigações.
Ao rebater o ministro, Gonet citou que as petições da PF continham mais de 700 páginas e afirmou que “os fatos – mesmo os mais graves – não podem deixar, por exemplo, de ser situados no tempo, até mesmo para que os pressupostos das medidas requeridas sejam avaliados em boa técnica. Recorde-se que a gravidade do delito, como ensina a boa jurisprudência do STF, não basta em si para justificar toda e qualquer medida cautelar”, escreveu.
O PGR apontou a complexidade da investigação e a falta de tempo hábil para apresentar um parecer sobre o caso.
“O prazo assinado pelo relator no caso não é estabelecido em lei especificamente. O prazo surgiu da impressão do relator sobre o tempo que lhe pareceu ideal para a manifestação da Procuradoria-Geral da República”, disse.
“A manifestação da Procuradoria-Geral da República apontou a impossibilidade de uma análise dos pedidos de diversas ordens, abrangendo quinze alvos diferentes, num caso de notória complexidade”, acrescentou.
Segundo a Polícia Federal, Daniel Vorcaro liderava um grupo criminoso destinado à obtenção de informações sigilosas sobre as investigações que envolviam o nome dele, além de ordenar ações de intimidação contra jornalistas e adversários.
Antes de deliberar sobre medidas cautelares dessa natureza, é procedimento usual que o relator abra prazo para manifestação da PGR. Em 27 de fevereiro, Mendonça fixou 72 horas para que o chefe do Ministério Público Federal (MPF) se posicionasse, ressaltando a urgência do caso. O prazo, contudo, não foi cumprido. No dia seguinte ao vencimento, o órgão alegou que o tempo estipulado era de “impossível atendimento”, diante da complexidade dos fatos e do número de investigados.
A PGR sustentou que não vislumbrava “perigo iminente, imediato” que justificasse a análise em prazo reduzido.
Puxão de orelha
André Mendonça deu um duro recado à PGR e afirmou que a urgência decorre do “perigo iminente a bens jurídicos da mais elevada relevância” e declarou ser motivo de preocupação o entendimento da Procuradoria de que não haveria risco imediato. Para o magistrado, o conjunto probatório reunido pela PF revela a necessidade de pronta atuação do Judiciário para evitar danos.
O relator também mencionou indícios de acesso indevido a sistemas sigilosos da própria PF, do MPF e até de organismos internacionais, como a Interpol. Em um trecho mais direto, Mendonça diz lamentar a postura da PGR diante de “robusto quadro fático-probatório” e que a demora revela-se “extremamente perigosa para a sociedade”.
“Portanto, se as medidas requeridas pela Polícia Federal não forem acolhidas, em caráter de urgência, pode-se colocar em risco a segurança e a própria vida de pessoas que se tornaram vítimas dos ilícitos apontados nestes autos, bem como dificultar, sobremaneira, a recuperação de ativos bilionários que foram desviados dos cofres públicos e de particulares atingidos pelos variados crimes contra o sistema financeiro nacional apurados nestes autos”, escreveu o magistrado.
