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Mario Sabino

Caso Master: Gonet é como um nadador que dá braçadas em um mar de lama

Sob Paulo Gonet, a PGR parece ter virado puxado do STF. Ou melhor, dos gabinetes de alguns ministros do STF. É uma mancha para a instituição

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Alejandro Zambrana/Secom/TSE
Gonet e Alexandre de Moraes
1 de 1 Gonet e Alexandre de Moraes - Foto: Alejandro Zambrana/Secom/TSE

Sob Paulo Gonet, a Procuradoria-Geral da República parece ter virado puxadinho do STF. Ou melhor, dos gabinetes de alguns ministros do STF. É uma mancha para a instituição que deveria primar pela independência em relação a todos os poderes.

No caso das barbaridades estreladas por Daniel Vorcaro, Gonet se comporta como um nadador que não vê problema em dar braçadas em um mar de lama. A sua atuação seria cômica, não fosse trágica para a democracia brasileira.

Descobriu-se que o escritório de advocacia da mulher do ministro Alexandre de Moraes assinou um contrato de inacreditáveis R$ 129 milhões de reais com o Banco Master, em troca do qual não fez absolutamente nada de relevante, e o PGR não viu motivo nenhum para abrir uma investigação.

Veio à tona que Dias Toffoli é sócio oculto dos irmãos em uma empresa suspeita de lavagem de dinheiro, que negociou a venda de um resort no Paraná com um fundo de investimento cujo único cotista era o cunhado de Vorcaro, e Gonet já tinha achado que a ligação comercial não era motivo para apontar a suspeição do ministro na relatoria do caso Master.

A última do PGR fez André Mendonça perder a paciência. Como novo relator do caso, depois que o STF inventou a desistência de relatoria por não suspeição, uma jabuticaba para livrar a cara de Toffoli,  o ministro terrivelmente evangélico indignou-se porque Gonet deu parecer contrário à necessidade de prender novamente Vorcaro, como pedia a representação da PF.

O PGR considerou que o tempo era curto para analisar a representação e achou que as provas apresentadas pela polícia não eram robustas o suficiente.

O diligente Gonet não viu “perigo iminente” na liberdade de um criminoso que mantinha uma milícia privada, encomendou uma surra em um jornalista, invadiu os sistemas da Justiça, da PF, da própria PGR, do FBI e da Interpol — e que continuava a operar para ocultar a dinheirama que roubou. Tudo devidamente documentado pela polícia na representação que o PGR menosprezou.

Ao decretar a prisão e demais cautelares contra Vorcaro, o ministro Mendonça deu uma bronca pública em Gonet:

“Diante desse robusto quadro fático-probatório, lamenta-se que a PGR diga que ‘não se entrevê no pedido, nem no encaminhamento dos autos [..] a indicação de perigo iminente, imediato, que induza a extraordinária necessidade de tão rápida e necessariamente sucinta análise do pleito’, razão pela qual conclui que ‘não pode ser favorável aos pedidos cautelares, não podendo aboná-los’ antes que sua manifestação seja apresentada “no mais breve tempo possível”. Lamenta-se (i) porque, as evidências dos ilícitos e a urgência para adoção das medidas requeridas estão fartamente reveladas na representação.”

O jornalista Caio Junqueira apurou que investigadores dizem que a amizade entre Gonet e o ministro Moraes, cuja relação com Vorcaro parece ser mais estreita do que se imaginava, é um dos principais obstáculos para que tudo seja passado a limpo no caso do Banco Master.

Não se esqueça também que Gonet é amigo e ex-sócio de Gilmar Mendes, que hoje está na posição estrategicamente confortável, na balança de poder no interior do Supremo, de fiador dos ministros diretamente atingidos pelo mar de lama de Vorcaro.

A esperança é que Mendonça esteja mesmo tomado de espírito messiânico para limpar toda essa imundície e não apenas varrê-la para debaixo do tapetão do STF.

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