Master: ex-chefe do BC recebeu R$ 3,8 milhões de Vorcaro por projeto social
Depoimento à PF aponta repasses entre 2023 e 2025 por projeto Jovens Potentes. Defesa nega vantagem ilícita e interferência no Master

O ex-chefe de supervisão do Banco Central (BC) Belline Santana (foto em destaque) recebeu R$ 3,8 milhões do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, por participação no projeto social “Jovens Potentes”, voltado à capacitação de jovens de periferia.
Os documento, obtido pelo Metrópoles, fazem parte das informações que o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), derrubou o sigilo, nesta sexta-feira (11/9).
Os pagamentos ocorreram entre outubro de 2023 e dezembro de 2025, segundo depoimento prestado à Polícia Federal (PF) por Leonardo Augusto Furtado Palhares, responsável pela consultoria jurídica do projeto.
Em nota, a defesa de Belline negou qualquer “pagamento ou concessão de vantagem ilícita” e afirmou que não houve interferência dele na fiscalização do Master.
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- Segundo Leonardo, Belline foi apresentado ao projeto por Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro e amigo de infância do advogado.
- O responsável jurídico disse que não participou das negociações de valores. Segundo ele, os termos financeiros foram tratados diretamente entre Zettel, Vorcaro e o então diretor do BC.
- Os repasses, de acordo com o depoimento, eram custeados por Vorcaro e saíam da Moriah Asset, empresa ligada ao Banco Master.
- O dinheiro ia primeiro para a conta do escritório de advocacia de Leonardo e, depois, era transferido para a pessoa física de Belline via TED e Pix. Ao todo, R$ 3,8 milhões.
- Leonardo afirmou à PF que nunca imaginou que Belline pudesse estar em esquema irregular.
- Disse considerar o ex-diretor uma pessoa “íntegra” e “muito simples” e que não viu irregularidades no contrato.

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Ver todasO que diz a defesa
Em nota, a defesa de Belline afirmou que ele sempre atuou como servidor de carreira do BC “dentro dos estritos limites de suas atribuições”.
Os advogados disseram confiar que os elementos que tiveram o sigilo retirado sejam analisados “com a necessária objetividade” e sem conclusões baseadas em “recortes ou interpretações descontextualizadas”.
A defesa classificou como orientada por “finalidades escusas” a interpretação que contrariaria os desdobramentos da Petição 15.504.
Confira na íntegra:
“A defesa reitera, portanto, que o Sr. Belline Santana sempre exerceu suas funções como servidor de carreira do BCB dentro dos estritos limites de suas atribuições, e confia que a análise integral de todos os elementos os quais se retirou o sigilo sejam apreciados com a necessária objetividade, sem conclusões baseadas em recortes ou interpretações descontextualizadas e, em especial, contrariando os próprios desdobramentos da Pet 15504, o que aparentemente é orientado por finalidades escusas.”



