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Grande Angular

Vorcaro confirma ordem de repasse a projeto de Belline, mas nega “vantagem”.

A oitava obtida pelo Metrópoles foi realizada na sexta (28/8). Vorcaro deu depoimento por videoconferência da Papudinha, onde está preso

03/09/2026 12:51, atualizado 03/09/2026 13:25
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Depoimento de Vorcaro à PF sobre servidores do BC

Durante depoimento à Polícia Federal na sexta-feira (28/8), obtido pelo Metrópoles, Daniel Vorcaro confirmou que determinou repasse de recursos para apoiar projeto social vinculado ao ex-chefe de Supervisão Bancária do Banco Central Belline Santana, mas negou “vantagem”. O servidor é investigado por supostamente atuar em favor dos interesses do Master no BC.

Questionado se houve “transferência de valores ou de imóveis” ou “vantagem de qualquer natureza” para Belline, Vorcaro negou. O banqueiro disse que Belline contou a ele sobre trabalho com associação “de pessoas negras em todo mundo que têm posição de relevância em bancos centrais”.

A oitava obtida pelo Metrópoles foi realizada no dia 28 de agosto de 2026. Vorcaro deu o depoimento por videoconferência da Papudinha, onde está preso no âmbito da Operação Compliance Zero. Ele estava acompanhado dos advogados Sérgio Leonardo, Daniel Bialski e Thiago Machado.

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“Eu sempre tive ações sociais que apoiei, principalmente de crianças e jovens. Fui membro da Brazil Foundation. Quando ele menciona sobre isso, acaba caminhando a conversa sobre ações sociais, ele menciona que tinha interesse de poder realizar projetos sociais ligados a esse tema, que ele atuava para trazer jovens negros para lideranças financeiras. Isso me chama atenção”, declarou no depoimento.

“Por isso, quando o delegado pergunta se eu fiz transferência direta de vantagem econômica ao Bellini, não houve, a resposta é não. Porque houve, sim, o interesse em apoiar esse projeto e que acabou sendo dado em sequência”, acrescentou.

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Vorcaro disse que passou ao cunhado, Fabiano Zettel, o interesse em desenvolver o projeto, mas que não sabia “os detalhes” e determinou destinação de recursos para a ação.

O dono do Banco Master afirmou que “não se recorda” do valor destinado e citou que o viu nos autos. “Eu não me lembro se eram R$ 2 [milhões] ou R$ 4 milhões, que era mais ou menos o que eu colocava em cada um dos projetos sociais”, disse.

Vorcaro foi confrontado com prints durante a oitava. Uma das conversas é com Belline, na qual o então chefe da Supervisão Bancária do BC afirmou que “não recebeu o e-mail”. O outro print é do cunhado, Fabiano Zettel, que encaminha um documento nomeado como “carta – Projeto Inserção de Jovens”. Veja:

Vorcaro é confrontado com prints sobre Belline, ex-diretor do BC

Vorcaro responde com o e-mail de Belline e orienta como o e-mail deve ser enviado a Belline para apresentar o texto final do projeto.

“Primeiro, não me recordo dos diálogos. Mas, vendo ali, corrobora o que eu falei: o pontapé inicial eu pedi para ser dado e após ali eu não acompanhei mais”, declarou.

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Empresas

Questionado do motivo pelo qual ele mesmo ou as empresas dele não aparecem no contrato para repasses ao projeto, Vorcaro declarou que tinha grupo de empresas em parceria com o cunhado e que os valores eram definidos pelas instituições.

O contrato teria sido fechado pela empresa Super. “A Super não era ligada a mim. Em momento posterior, de reestruturação com meu cunhado – e estava em processo na compra do Master, estava em estruturação de holding –, então ela passou a ser ligada efetivamente vinculada a mim a partir dessa data”, declarou.

O delegado da PF que conduz a oitiva, Alberto Paulo Sérvio de Moura, mostra mais prints obtidos do celular de Vorcaro. Na mensagem, em outubro de 2023, Zettel afirmou que tinha que pagar “a primeira” do Belline. Vorcaro orientou o cunhado a usar uma empresa que não tivesse vinculação a Zettel.

“Pelo fato de [Belline] ser do Banco Central, de fato tinha cuidado maior de que os fatos não transparecessem que era outra realidade”, declarou Vorcaro. “Esse fato do investimento no projeto social, essas conversas, nunca se confundiu ou têm relação fática ou contextual do Banco Master e supervisão”, acrescentou.

O dono do Master afirmou que nunca pediu ou receber “qualquer benefício” de Belline.

Paulo Sérgio

Vorcaro também falou sobre a relação com Paulo Sérgio de Moura, ex-diretor de Fiscalização. O dono do Master disse que o conhece desde 2017, quando iniciou o processo para aquisição do Banco Máxima, antigo nome do Master.

Questiona se desde então o servidor “faz esse trabalho” para Vorcaro, o banqueiro respondeu: “O Paulo Sérgio nunca fez trabalho para mim, nenhum membro do Banco Central”.

“Na realidade, a interação com a supervisão, não somente com o Paulo Sérgio, mas com outros membros, ela é constante, acho que de todos os bancos, acho não, com certeza de todos os bancos, no caso do Banco Máxima, na época era mais intensa por questões da reestruturação”, declarou.