Master: delator da Lava-Jato fez intermediação entre Castro e Vorcaro

Empresário ajudou a viabilizar investimentos de R$ 3,7 bilhões do Rioprevidência em papéis e fundos ligados ao Banco Master, segundo a PF

atualizado

metropoles.com

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1 de 1 daniel-vorcaro-e-claudio-castro - Foto: Arte/Divulgação/VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto

A Polícia Federal (PF) aponta o empresário Ricardo Siqueira Rodrigues, delator em desdobramentos da Operação Lava Jato, como responsável por intermediar a aproximação entre o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL) e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do Master.

Rodrigues é um dos alvos da 8ª fase da Operação Compliance Zero, deflagrada nesta terça-feira (26/5) e autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). A investigação apura investimentos bilionários do Rioprevidência em fundos ligados ao Banco Master.

Segundo a PF, o empresário atuava como “articulador, captador e lobista” do banco junto ao fundo de previdência estadual. A corporação afirma que ele mantinha contato direto com Vorcaro e foi responsável por garantir o “alinhamento político necessário” para os aportes feitos pelo Rioprevidência a partir do fim de 2023.

“No caso do RioPrevidência, é-lhe atribuída função de intermediação política e operacional da captação, tendo afirmado a Vorcaro que resolveria os trâmites internos, restando pendente apenas o alinhamento político”, diz a decisão.

De acordo com o documento, Rodrigues participava de encontros frequentes com o banqueiro, inclusive no exterior e em ambientes privados, com despesas custeadas por Vorcaro.

Os investigadores afirmam que o empresário ajudou a viabilizar investimentos de R$ 3,7 bilhões do Rioprevidência em papéis e fundos ligados ao Banco Master.


Entenda o esquema financeiro

  • A PF também aponta que Rodrigues controlava, nos bastidores, a empresa Mídias Promotora Ltda., registrada em nome de um “laranja”.
  • Segundo a investigação, a empresa era usada para receber e distribuir comissões relacionadas aos investimentos feitos pelo fundo estadual.
  • “A Mídias Promotora teria sido utilizada para receber e distribuir comissões relacionadas à captação de recursos junto a regimes próprios de previdência, especialmente ao RioPrevidência, com percentuais previamente ajustados sobre os valores aportados no Banco Master”, diz um trecho da decisão.
  • Para os investigadores, a empresa funcionava como peça central do esquema financeiro, permitindo a “circulação e fragmentação dos ganhos ilícitos com aparência de regularidade contratual”.

Embora a decisão não detalhe quem seriam os contatos de Rodrigues dentro do órgão, outro alvo da operação é Fernanda Pereira da Silva Machado, ex-gerente de Controle Interno e Auditoria do Rioprevidência.

Segundo a PF, ela assinou documentos considerados fraudulentos relacionados ao credenciamento do Banco Master e da corretora Planner, além de atuar para viabilizar as operações financeiras investigadas.

A investigação aponta que os aportes feitos durante a gestão de Cláudio Castro teriam sido negociados mediante pagamento de comissões de 0,6% sobre o total investido. Então, considerando os cerca de R$ 3 bilhões transferidos a fundos ligados ao banco, as propinas podem chegar a R$ 18 milhões.

Mensagens obtidas pela PF indicam que Rodrigues afirmou a Vorcaro que o Rioprevidência tinha um “dono” responsável por autorizar os dirigentes do órgão a liberar os investimentos no Master.

Em outra conversa, o empresário comemorou com o banqueiro o cumprimento de metas de captação de recursos de fundos de previdência e projetou arrecadar “mais de bilhão” nos meses seguintes.

Delator da Lava Jato

Ricardo Rodrigues já havia sido investigado anteriormente pela PF e firmou acordo de delação premiada com o Ministério Público Federal (MPF). Ele foi investigado em 2018 no âmbito da Operação Rizoma, um desdobramento da Lava Jato.

Rodrigues foi denunciado por usar sua influência sobre os fundos de pensão dos empregados do Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpros), dos trabalhadores dos Correios (Postalis) e Fundação Rede Ferroviária de Seguridade Social (Refer) para assegurar aportes em empresas por ele apontadas.

Em 2025, ele pediu ao STF a devolução de R$ 10 milhões pagos em multas do acordo de colaboração. O empresário tentou se beneficiar de decisões da Corte que suspenderam pagamentos de acordos de leniência da Odebrecht e da J&F, sob argumento de que nunca foi condenado criminalmente.

Além de Cláudio Castro e Ricardo Rodrigues, a 8ª fase da operação teve como alvos:

  • Deivis Marcon Antunes: ex-presidente do Rioprevidência;
  • Eucherio Lerner Rodrigues: ex-diretor de Investimentos do Rioprevidência;
  • Pedro Pinheiro Guerra Leal: ex-gerente de Operações e Investimentos do órgão;
  • Fernanda Pereira da Silva Machado: ex-gerente de Controle Interno e Auditoria do Rioprevidência.

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