Master: CPI do Crime Organizado avalia convocar ACM Neto
Ex-prefeito de Salvador confirmou ter recebido R$ 3,6 milhões do Master e da Reag. Parlamentares levantam dados antes da convocação
atualizado
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Após confirmar nesta quarta-feira (11/3) que uma de suas empresas recebeu R$ 3,6 milhões do Banco Master, de Daniel Vorcaro, e da gestora de recursos Reag, o ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União), pré-candidato ao governo da Bahia, pode ser convocado para comparecer à CPI do Crime Organizado no Senado. Os integrantes do colegiado levantam dados e analisam informações para avaliar a real contribuição do político na investigação.
O valor consta em relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). Ao Metrópoles, ACM Neto afirmou que o montante é referente a serviços de consultoria. A informação foi publicada em primeira mão pelo jornal O Globo e confirmada pelo Metrópoles.
Segundo o Coaf, os recursos foram repassados após as eleições de 2022, em dezembro daquele ano, e entre março de 2023 e maio de 2024. A empresa tem como atividade principal prestar serviços “de consultoria em gestão empresarial” e como atividade secundária uma atuação “de apoio à educação”.
- De junho de 2023 a maio de 2024, a empresa recebeu R$ 1,5 milhão em 11 repasses da Reag e R$ 1,3 milhão em nove do Master. Total: R$ 2,9 milhões;
- ACM Neto recebeu da sua própria empresa R$ 4,2 milhões em 14 repasses;
- Em março e em junho de 2023, a A&M recebeu R$ 422,3 mil do Master e R$ 281,5 mil da Reag.
Ex-presidente da Reag Investimentos, João Carlos Mansur ficou em silêncio durante depoimento da CPI do Crime Organizado nesta quarta-feira (11/3). O direito foi assegurado pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF). O magistrado concedeu salvo-conduto ao entender que, na condição de investigado, ele não é obrigado a produzir provas contra si mesmo.
Nesta manhã, a CPI também aprovou a convocação de Marilson Roseno da Silva, suspeito de integrar “a Turma” de Vorcaro, Paulo Sérgio Neves de Souza e Bellini Santana, servidores do Banco Central (BC) suspeitos de atuarem em prol do banqueiro.
“Totalmente seguro”
Procurado pelo Metrópoles, ACM Neto ressaltou que prestou o serviço quando não exercia mais nenhum cargo público e constituiu a empresa A&M Consultoria LTDA.
“A partir de então, prestei serviços a alguns clientes, entre eles o Banco Master e a Reag. Isto sempre ocorreu com contratos formais, com o devido recolhimento de impostos e trabalhos de consultoria efetivamente executados, notadamente relacionados à análise da agenda político-econômica nacional, e materializados em diversas reuniões com o corpo técnico e jurídico dos contratantes”, explicou.
Ele destacou que está “totalmente seguro em relação a estes fatos, haja vista não existir nada de errado”.
“De todo modo, não posso deixar de registrar o estranhamento que causa o vazamento seletivo e fragmentado de um documento que condensa informações protegidas por sigilo bancário e fiscal, ao qual não tive acesso e estou tendo notícia da existência pela imprensa, razão pela qual sequer posso fazer algum juízo acerca da conformidade e legalidade desse documento”, concluiu.










