Mãe de Kathlen clama por justiça: “Preciso gritar por ela”. Veja vídeo

Depoimentos foram acompanhados pela Comissão de Direitos Humanos da OAB, que garantiu assistência até que o caso seja elucidado

atualizado 11/06/2021 15:58

Aline Massuca/Metrópoles

Rio de Janeiro – Finalizados os depoimentos dos familiares da designer Kathlen de Oliveira Romeu, de 24 anos, morta por um tiro de fuzil no tórax durante ação da PM no Complexo do Lins, na zona norte, a mãe da jovem, Jacklline de Oliveira, deixou a Delegacia de Homicídios da Capital, na Barra da Tijuca, emocionada. Ela clamou por justiça e pela responsabilização dos autores do disparo que vitimou a filha e o neto – a designer estava grávida de 4 meses.

“Agradeço o carinho de vocês e que continuem orando por mim, pela minha família. Preciso gritar por justiça para Kathlen de Oliveira Romeu. Não foi em vão. Ela foi a última. E é isso que eu preciso dizer”, gritou a mãe, em tom de protesto.

Jacklline prestou depoimento, assim como o pai da jovem, Luciano Gonçalves, e o namorado dela, o tatuador Marcelo Ramos, que fez um desabafo emocionado, também cobrando respostas céleres para o caso.

“Todos vão pagar. Não só os policiais que estavam na hora que dispararam contra ela, mas o comandante também, porque o policial que está lá não age sozinho. A gente tem que pedir justiça”, disse o tatuador, muito emocionado.

Veja vídeo da mãe de Kathlen:

Direitos humanos

Nadine Borges, vice-presidente da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-RJ), acompanhou os depoimentos e garantiu à família que eles serão amparados, recebendo a assistência jurídica necessária para o caso.

“Foi muito chocante o que nós ouvimos da avó dela (Sayonara Fátima), que presenciou a cena do crime. É claro que a Polícia Civil vai ter que investigar isso com cautela, porque as evidências são muito fortes de um homicídio e fraude processual, além de crime de desobediência em relação a decisão do STF”, avaliou Nadine.

A advogada lembrou da decisão do Supremo Tribunal Federal, de junho do ano passado, determinando que só podem ocorrer nas comunidades em casos excepcionais.

A partir de então, foram comunicadas ao Ministério Público 524, entre elas, a do Jacarezinho, em 6 de maio, que resultou na morte de 27 acusados de envolvimento com tráfico de drogas e do policial civil André Frias. A operação é considerada a mais letal da história e colocada em xeque por denúncias de violações, como adulteração de locais de crimes.

“Essa operação (que vitimou Kathlen, no Complexo do Lins) foi uma afronta ao Supremo Tribunal Federal. O homicídio de uma pessoa negra, pobre, em um território de favela nessa cidade. Então, é contra tudo isso que nós vamos estar vigilantes”, afirmou a advogada.

“Nós não vamos descansar um segundo até esclarecer e até responsabilizar quem está por trás desse comando. Além dos agentes, que foram desta forma lá no Lins, numa tarde e mataram uma menina de 24 anos grávida”, completou a vice-presidente da comissão da OAB-RJ.

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