Lula vê juros altos como fator de desgaste e sobe o tom contra BC
Planalto avalia impacto do endividamento das famílias na popularidade causado pela taxa de juros, atualmente em 14,75% ao ano
atualizado
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) passou a tratar o atual cenário econômico como uma ameaça concreta ao desempenho eleitoral em 2026 e tem intensificado discussões internas sobre como reagir ao impacto dos juros elevados e do aumento do endividamento das famílias.
A tendência é que ele próprio e figuras do governo elevem o tom contra o Banco Central, que é quem cuida da política de juros do país.
Segundo relatos de integrantes do governo, Lula tem demonstrado incômodo com os efeitos da política monetária restritiva sobre o cotidiano da população, especialmente pelo encarecimento do crédito e pela dificuldade de acesso a financiamentos.
A avaliação é que esse cenário tem pressionado o consumo e contribuído para uma piora na percepção da economia, o que já começa a se refletir em indicadores de popularidade.
Auxiliares do presidente afirmam que o diagnóstico é de que, embora indicadores macroeconômicos apresentem sinais positivos em algumas frentes, isso ainda não tem se traduzido em melhora concreta na vida das famílias, o que amplia o risco de desgaste político.
Nesse contexto, o endividamento elevado passou a ser tratado como um dos principais pontos de atenção do governo.
As discussões também ocorrem em meio ao impacto político do caso envolvendo o Banco Master, que entrou no radar como mais um fator de pressão sobre o governo. A leitura é que a combinação entre crédito caro, famílias endividadas e ruídos políticos pode criar um ambiente adverso para o presidente no médio prazo.
Diante desse cenário, Lula tem cobrado de ministros propostas que possam melhorar a percepção da população sobre a economia, tanto por meio de medidas concretas quanto de ajustes na comunicação do governo.
Ofensiva contra o Banco Central
Além disso, o presidente tem intensificado críticas ao Banco Central (BC), especialmente em relação ao nível elevado da taxa básica de juros, atualmente em 14,75% ao ano.
“Estou triste, porque eu esperava que o nosso Banco Central baixasse o juro pelo menos em 0,5%. E baixou só em 0,25, dizendo que é por causa da guerra. Essa guerra até no nosso Banco Central? Não é possível”, disse em referência a última reunião do Comitê de Politica Monetária (Copom).
Para o petista, a política monetária restritiva tem encarecido o crédito, dificultado o consumo e travado a atividade econômica, com impacto direto sobre o dia a dia da população.
Nos últimos meses, Lula tem associado o custo alto do dinheiro ao aumento do endividamento das famílias e ao desgaste na percepção sobre a economia.
As declarações também têm forte componente político, ao reforçar a narrativa de que fatores fora do controle direto do governo contribuem para a desaceleração econômica.
Integrantes do governo avaliam que a estratégia busca pressionar por uma redução mais rápida dos juros, ao mesmo tempo em que tenta mitigar os efeitos negativos sobre a popularidade do governo.
