Lula vai nesta 3ª a Goiás, estado que resiste ao PT há décadas

Roteiro inclui inaugurações e anúncios em Catalão e Rio Verde. Goiás também enfrenta impasse sobre candidato do PT ao governo do estado

atualizado

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Lula, presidente da República -- Metrópoles
1 de 1 Lula, presidente da República -- Metrópoles - Foto: KEBEC NOGUEIRA/METRÓPOLES @kebecfotografo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) desembarca em Goiás nesta terça-feira (2/6), estado em que o PT venceu apenas duas das nove eleições presidenciais desde 1989 e onde a sigla ainda busca definir um candidato para disputar o governo estadual em 2026. O roteiro prevê compromissos em Catalão e Rio Verde, dois importantes polos econômicos do interior goiano.

A menos de quatro meses das eleições, a agenda reflete o esforço do Palácio do Planalto em romper resistências em segmentos historicamente distantes de Lula, que demorou a visitar o estado neste terceiro mandato e fez sua primeira viagem apenas em setembro de 2024.

Um levantamento da Genial/Quaest divulgado em maio aponta que Goiás tem o segundo maior índice de rejeição ao presidente no país, atrás apenas do Paraná, com 66% dos entrevistados afirmando que conhecem o petista, mas não votariam nele.

Para tentar reverter os índices, o Planalto tem apostado em anúncios direcionados a alguns segmentos, com investimentos, programas e entregas de obras. Em Goiás, não será diferente.

Nesta terça, a primeira parada de Lula será em Catalão, no sudeste do estado, onde o presidente inaugura o novo campus do Instituto Federal Goiano (IF Goiano), uma obra financiada pelo Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) que deve atender mais de 1,2 mil estudantes, e o Hospital Universitário da Universidade Federal de Catalão (UFCAT).

Ainda na cidade, o Ministério da Saúde deve anunciar a recomposição de recursos federais para garantir a abertura da nova unidade hospitalar, que terá 33 leitos de clínica médica nesta primeira fase e pretende beneficiar 1,5 milhão de pessoas em 56 municípios da região.

No período da tarde, o presidente se desloca para Rio Verde, no sudoeste goiano, um dos principais expoentes do agronegócio nacional.

A cidade, que registrou a sétima maior produção agrícola do país em 2025 com R$ 4,9 bilhões, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), abriga o Hospital Municipal Universitário (HMU).

Lula visitará a unidade, pioneira no Centro-Oeste ao realizar, em janeiro passado, a primeira cirurgia robótica totalmente gratuita pelo Sistema Único de Saúde (SUS) na região, e participará de uma homenagem a profissionais sanitaristas.

Desafios

As duas cidades que receberão Lula refletem, com algumas distinções, o tamanho do desafio do PT no estado, conforme mostram os dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Rio Verde acompanha o voto goiano: Lula venceu ali apenas na eleição de 2002, quando obteve 50,91% dos votos válidos contra 49,09% de José Serra (PSDB). Desde então, o partido acumulou derrotas no município.

Geraldo Alckmin superou Lula no segundo turno de 2006, e Dilma Rousseff (PT), que havia sido escolhida como sucessora do petista, também foi derrotada em 2010 e 2014.

O cenário se acentuou com o bolsonarismo: em 2018, Jair Bolsonaro venceu Fernando Haddad (PT), substituto de Lula naquele ano, com mais de 67% dos votos válidos e, em 2022, superou Lula com 61,90%.

Catalão, por sua vez, apresenta um histórico mais favorável ao PT . O atual presidente venceu na cidade em 2002 e 2006, e Dilma Rousseff também saiu vitoriosa em suas duas campanhas.

A virada local ocorreu apenas em 2018, com a vitória de Bolsonaro por mais de 57% dos votos válidos, cenário que se repetiu em 2022 por uma margem muito apertada: 50,08% para o então candidato à reeleição contra 49,92% de Lula.

As resistências locais espelham o comportamento do eleitorado no estado. As duas únicas vitórias de Lula em Goiás ocorreram nos segundos turnos de 2002 e 2006.

Em todas as outras disputas desde 1989, os goianos optaram pelo outro lado: Fernando Henrique Cardoso venceu em 1994 e 1998; Dilma Rousseff perdeu em 2010 para José Serra (50,75% a 49,25%) e em 2014 para Aécio Neves (57,11% a 42,89%).

O antipetismo se consolidou com o avanço do bolsonarismo: em 2018, Jair Bolsonaro derrotou Haddad no estado com 65,52% dos votos e, em 2022, bateu Lula por 58,71% a 41,29%.


O placar de Lula e do PT em Goiás

  • 1989: Fernando Collor e Lula disputaram o segundo turno. Collor foi eleito e também liderou em Goiás: 68,44% dos votos válidos no estado, ante 31,56% de Lula.
  • 1994: Fernando Henrique Cardoso (PSDB), eleito no primeiro turno, alcançou 67,48% dos votos válidos em Goiás; Lula, 18,60%.
  • 1998: Fernando Henrique Cardoso (PSDB) foi reeleito no primeiro turno. No estado, registrou 65,96% dos votos, ante 19,62% de Lula.
  • 2002: Lula ganhou no segundo turno no Brasil e em Goiás. O petista obteve 57,08% dos votos válidos no estado, e José Serra (PSDB) alcançou 42,92%.
  • 2006: Lula foi reeleito no segundo turno. Também liderou em Goiás: 54,78% contra 45,22% de Geraldo Alckmin, então filiado ao PSDB.
  • 2010: Dilma Rousseff (PT) foi eleita no segundo turno, mas perdeu em Goiás. Petista alcançou 49,25%, ante 50,75% de José Serra.
  • 2014: Dilma foi reeleita, mas perdeu novamente no estado: Aécio Neves (PSDB) alcançou 57,11% dos votos válidos no segundo turno, e a então presidente registrou 42,89%.
  • 2018: Fernando Haddad (PT), que substituiu Lula na corrida presidencial daquele ano, perdeu em Goiás. Naquele ano, Jair Bolsonaro (PL) foi eleito no segundo turno e também liderou no estado: 65,52% contra 34,48% de Haddad.
  • 2022: Lula foi eleito para um terceiro mandato, mas perdeu em Goiás. No segundo turno, o petista registrou 41,29%, ante 58,71% de Bolsonaro.

Indefinição no palanque local

Além do cenário adverso nas urnas presidenciais, o desafio do PT em Goiás passa pela construção do palanque da sigla para as eleições no estado, um dos poucos em todo o país onde a legenda ainda não definiu a candidatura ao governo estadual.

Dirigentes partidários esperam que a presença de Lula em território goiano nesta terça ajude a unificar as bases e encaminhar um consenso. Há uma expectativa de que a direção estadual da sigla se reúna na próxima sexta-feira (5/6) para tentar encerrar o impasse.

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Candidata do PT à prefeitura votou no setor Jaó, em Goiânia
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Flávio Faedo e Adriana Accorsi (no centro) abraçados com o presidente nacional do PT, Edinho Silva (esquerda), e o deputado Jilmar Tatto (direita).
Deputada federal Adriana Accorsi (PT)
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Deputada federal Adriana Accorsi (PT)

Bruno Spada/Câmara dos Deputados
Candidata do PT à prefeitura votou no setor Jaó, em Goiânia
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Candidata do PT à prefeitura votou no setor Jaó, em Goiânia

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Flávio Faedo e Adriana Accorsi (no centro) abraçados com o presidente nacional do PT, Edinho Silva (esquerda), e o deputado Jilmar Tatto (direita).
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Flávio Faedo e Adriana Accorsi (no centro) abraçados com o presidente nacional do PT, Edinho Silva (esquerda), e o deputado Jilmar Tatto (direita).

Dentro do PT, uma ala defende a candidatura da deputada federal Adriana Accorsi, nome que disputou a prefeitura de Goiânia em 2016, 2020 e 2024, não conseguindo se eleger em nenhuma das oportunidades.

Outro grupo sinaliza a viabilidade de lançar o empresário e produtor rural Flávio Faedo, que é de Rio Verde, em um aceno direto para tentar reduzir as arestas com o setor produtivo e o agronegócio.

Adriana é filha do ex-prefeito Darcy Accorsi, que comandou Goiânia entre 1993 e 1996. Aliás, apesar de não ter tradição nas eleições presidenciais no estado, o PT tem certa representatividade na capital goiana. Além de Darcy, Goiânia já teve os seguintes prefeitos petistas: Pedro Wilson (2001 a 2003) e Paulo Garcia (2010 a 2012.; e 2013 a 2016).

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