Lula e Flávio Bolsonaro correm para fechar palanques estaduais
Disputa nacional deve se refletir nos estados, com alianças já desenhadas na maior parte do país
atualizado
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A pouco mais de seis meses das eleições, os pré-candidatos ao Planalto Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) já têm seus palanques estaduais praticamente definidos nos 26 estados e no Distrito Federal. A expectativa é que, para a maioria dos estados, os dois candidatos também polarizem entre os principais candidatos para o Executivo estadual.
Neste ano, o eleitor retorna à urna de votação para eleger presidente e vice-presidente da República, governador e vice-governador, dois senadores, deputados federais, vereadores e deputados distritais, no caso do DF. Tanto Lula, quanto Flávio Bolsonaro, buscam garantir palanques e ampliar o apoio aos próprios nomes na corrida para a Presidência.
Enquanto o xadrez para o Senado ainda parece sem solução em alguns estados para ambos, o cenário para governador já tem uma consolidação mais clara, inclusive em São Paulo e Minas Gerais, dois dos principais palanques eleitorais do país.
Veja como estão os partidos nos Estados:
Lula na frente
O levantamento feito pelo Metrópoles mostra que o presidente Lula está frente na consolidação dos palanques estaduais. Até o momento, o petista já fechou 24 pré-candidatos. No entanto, três estados ainda estão indefinidos: Goiás, Maranhão e Tocantins.
Em Goiás, as pesquisas apontam Daniel Vilela (MDB) e Marconi Perillo (PSDB) entre os favoritos pelo eleitor. Vilela é atual governador do estado e assumiu o posto após Ronaldo Caiado (PSD) deixar a cadeira para concorrer à presidência da República pelo seu partido.
Embora o PT não tenha nomes definidos em Goiás, Perillo tem recebido investidas do Partido dos Trabalhadores (PT) para formar uma aliança em apoio ao seu nome para a disputa no estado. Até o momento, contudo, nada foi definido.
No Maranhão, o atual mandatário enfrenta uma indefinição. Em torno das possibilidades, o PT pode apoiar Orleans Brandão (MDB), sobrinho do então governador Carlos Brandão (sem partido), o ex-prefeito de São Luís, Eduardo Braide (PSD) ou o vice-governador, Felipe Camarão (PT).
Conforme já adiantou o Metrópoles, a esquerda enfrenta o racha no estado devido ao racha entre os Brandão e o grupo ligado ao ex-governador do estado Flávio Dino. Após anos de aliança, o grupo rachou e colocou em xeque o apoio a PT no Maranhão.
Flávio adiantou nome em São Paulo
Embora tenha menos estados definidos, foi Flávio Bolsonaro quem se adiantou na definição do palanque em São Paulo — estado que, ao lado de Minas Gerais, é considerado o maior colégio eleitoral do país.
No estado, a relação com Tarcísio de Freitas (Republicanos) facilitou a decisão do PL. A escolha deixa o pré-candidato na frente, já que Tarcísio aparece como favorito do eleitor paulista para o Palácio dos Bandeirantes.
Em busca da reeleição, Tarcísio chegou a ser considerado como possível sucessor a Jair Bolsonaro (PL) na presidência da República. Por segurança, o ex-presidente acabou apadrinhando o filho primogênito para levar o nome da família à disputa de outubro.
Para o PT, por outro lado, a definição para São Paulo foi mais lenta. Foi faltando alguns dias para o limite da desincompatibilização que Lula convenceu o ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad para concorrer ao pleito pelo Partido dos Trabalhadores (PT).
Haddad é de São Paulo e já foi prefeito da capital paulista entre 2013 e 2016. O ex-ministro, contudo, demonstrava resistência em concorrer em outubro, mas acabou cedendo após pedidos do próprio presidente Lula.
PT tenta convencer Pacheco enquanto direita está dividida em MG
Com cenário definido em São Paulos, os olhos têm se voltado para Minas Gerais. Historicamente, os dados mostram que o nome mais votado no estado é o mesmo eleito nacionalmente, o que aumenta a preocupação com eleitor mineiro.
Assim como ocorre com a esquerda no Maranhão, a direita também demonstra estar dividida em Minas Gerais. Embora sem um nome consolidado para bancar na corrida ao Palácio da Liberdade em outubro, Flávio Bolsonaro (PL) pode ter dois palanques no estado com Mateus Simões (PSD) e o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos).
Simões foi eleito vice-governador do estado e atualmente ocupa o cargo de governador depois que Romeu Zema (Novo) deixou o cargo para concorrer à presidência da República. Seu nome, contudo, é visto com resistência pelo partido de Flávio Bolsonaro, já que ele tem o compromisso de dar palanque para Zema.
Cleitinho, por outro lado, lidera a maioria dos cenários em pesquisas para o governo de Minas em 2026, mas joga para o futuro a confirmação da candidatura e envia sinais contraditórios que embaralham alianças e travam o desenho eleitoral no estado.
Foi depois que Flávio Bolsonaro passou a demonstrar força no estado que Lula buscou por uma definição e correu para construir seu candidato para o governo de Minas Gerais. Sem conseguir uma candidatura própria, o atual mandatário tem costurado o nome de Rodrigo Pacheco (PSB) ao Palácio da Liberdade com apoio do Partido dos Trabalhadores.
O “aceite” por Pacheco, contudo, ainda não foi oficializado. Embora o político mineiro tenha dado sinais verdes para a disputa e já tenha o explícito apoio do PT, ele ainda não se lançou como pré-candidato ao governo de Minas Gerais.
Distrito Federal
A capital do país também se apresenta como uma extensão da polarização entre Lula e Bolsonaro. No Distrito Federal, a então governadora, Celina Leão (Progressistas) — que assumiu o posto após saída de Ibaneis Rocha (MDB) para concorrer ao Senado Federal — conta com o apoio do Partido Liberal.
O apoio é bancado pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), considerada amiga pessoal de Celina. Em entrevista à TV Metrópoles, a deputada federal e presidente do PL-DF, Bia Kicis (PL), afirmou que a legenda a apoiaria “enquanto for vontade Michelle“.
O Partido dos Trabalhadores (PT), por outro lado, vai apoiar o presidente do Iphan, Leandro Grass (PT), para a disputa deste ano. Grass também foi candidato ao Palácio Buriti em 2022 pela coligação PT-PV-PCdoB. Para a disputa de outubro, Grass concorre como candidato do PT, após se filiar à legenda no final do último ano.













