Escândalo do Banco Master definirá as eleições no Distrito Federal
Balança a candidatura de Ibaneis a senador
atualizado
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Só há uma coisa certa até agora no Distrito Federal para as eleições que se avizinham: se a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro decidir de fato concorrer, uma das duas vagas no Senado será sua. É pule de dez, concordam todos os tons da direita e da esquerda.
O mais está em suspenso. Vai depender do que apurar a Polícia Federal sobre o escândalo do Banco Master. As investigações avançam sob a supervisão do ministro “terrivelmente evangélico” André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal.
Mendonça e Michelle são amigos. Foi Jair Bolsonaro quem indicou Mendonça para a vaga aberta no tribunal com a aposentadoria do ministro Marco Aurélio de Mello. Mas foi Michelle quem suou a blusinha para que o Senado aprovasse o nome dele.
A indicação de Mendonça esbarrou na falta de entusiasmo do então presidente da Comissão de Constituição e Justiça do Senado, David Alcolumbre, hoje presidente da Casa. Alcolumbre a sabotou por meses para extrair vantagens em negócios com Bolsonaro.
Alcolumbre tinha outro candidato a ministro: Augusto Aras, o Procurador-Geral da República. Apostou suas fichas nele, mas perdeu. O nome de Mendonça foi aprovado por 47 de um total de 81 senadores, apenas seis votos além do mínimo necessário.
Michelle assistiu à votação ao lado de Mendonça e comemorou o resultado com gritos em línguas estranhas. Em março último, Mendonça mandou prorrogar a CPMI do INSS, contrariando Alcolumbre. A maioria dos colegas de Mendonça o desautorizou.
Antes da explosão do Caso Master, que o Banco Regional de Brasília (BRB) tentou comprar a qualquer preço, tudo parecia precificado com vistas às próximas eleições. Ibaneis Rocha (MDB), governador, renunciaria ao mandato para se candidatar ao Senado.
No seu lugar, assumiria Celina Leão (PP), a vice, candidata a governadora. O PL dos Bolsonaro apoiaria as pretensões dos dois. E a eleição, assim, estaria liquidada de véspera. Vitória robusta da direita unida no coração do país. Exemplo para outros Estados.
O script foi cumprido, mas só em parte. Culpa de Daniel Vorcaro, dono do Master, que quis fazer de bobas as autoridades monetárias do país. Mas culpa também de Ibaneis que deixou correrem soltas as tratativas para a compra do Master.
O PL rompeu o acordo e lançou a candidatura ao Senado da deputada federal Bia Kicis, seguidora obediente de Michelle. As chances de Ibaneis manter sua candidatura ao Senado escasseiam. Celina tudo faz para se afastar da herança maldita deixada por ele
Ao tomar posse no cargo, Celina demitiu dezenas de executivos do BRB envolvidos na compra de carteiras de crédito e títulos podres do Master, que geraram ao banco um prejuízo de 12 bilhões de reais. As irregularidades no negócio são flagrantes.
Celina garante que não teve nenhuma ingerência nas negociatas entre o BRB e o Master, e que fará o que for necessário para apurar as responsabilidades:
“Deixo claro que não participei da decisão, nem sequer fui consultada sobre o assunto. Esse governo não será obstáculo, será garantidor de todas as respostas”.
Como é possível que Ibaneis ignorasse o que se passava com o BRB, e Celina idem? É o que a oposição quer saber e cobrará até que o último voto seja depositado nas urnas. De Ibaneis, não resta foto pendurada nas paredes das repartições públicas de Brasília.


