Lula diz que vai defender fim das bets em campanha à reeleição
Presidente afirmou que ainda que não proibiu as apostas esportivas porque “não é o dono do Brasil”
atualizado
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) declarou nesta sexta-feira (22/5) que vai defender o fim das bets na campanha à reeleição. O petista disse ainda que não proibiu as apostas esportivas porque “não é o dono do Brasil”.
“Se depender da vontade do presidente da República, eu vou dizer isso durante a campanha: eu sou favorável a acabar com todas aquelas bets que não estão prestando nenhum serviço de utilidade a esse país”, afirmou em entrevista ao programa Sem Censura, da TV Brasil.
“Eu proibiria todas. Por que não proibi? Eu não sou dono do Brasil. Da mesma forma que eu falo que o [Donald] Trump não é dono do mundo, eu não sou dono do Brasil. Eu sou o presidente da República. Eu faço parte de um tripé de instituições que governam o país”, continuou o presidente.
Segundo o titular do Planalto, existe a possibilidade de deixar “uma ou outra” bet funcionando, mas não o chamado “jogo do tigrinho”.
“Hoje o futebol depende de bets. Você tem que saber qual a bet séria e qual é a que não é séria. Você pode deixar uma ou outra funcionando. Agora, o que você não pode deixar é os tigrinhos da vida funcionar”, pontuou.
Ao ser questionado sobre controlar propagandas destas empresas, Lula disse que pretende fazer uma regulação nesse sentido: “Pretendo. Todo mundo tem que ser tratado em igualdade de condições. O que é ilegal na vida normal tem que ser ilegal em todo espaço”.
As apostas esportivas foram legalizadas em 2018, durante o governo do ex-presidente Michel Temer (MDB), e tiveram sua regulamentação definida em 2023 pela gestão Lula, que estabeleceu regras de tributação para o setor.
No mês passado, o governo federal anunciou medidas para restringir o mercado de apostas esportivas, em especial os palpites baseados em previsões. Na prática, a mudança impôs novas restrições ao mercado preditivo no Brasil, que consiste em plataformas de negociação baseadas em eventos futuros, a exemplo de resultado de eleições, previsão do tempo, jogos esportivos, entre outros.
Lula tem subido o tom contra as bets e atribuido a alta do endividamento das famílias ao crescimento das apostas on-line.
Taxa das blusinhas
Durante a entrevista, o presidente disse que o ex-ministro da Fazenda e pré-candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad (PT), tinha “convicção” de que o imposto sobre importações de 20% sobre compras de até US$ 50 em plataformas online no exterior era “uma coisa boa para proteger a economia nacional”.
Na semana passada, o governo recuou da medida, estabelecida em junho de 2024, e zerou a taxação federal após forte pressão interna vinda de pesquisas que mostraram alta desaprovação da alíquota.
“Tinha muita pressão dos varejistas de São Paulo e Rio de Janeiro. Então, quando o Haddad fez, ele acreditava realmente que era uma coisa boa. E ele falou comigo com convicção de que era coisa boa para proteger a indústria nacional”, relatou o presidente.
Lula afirmou ainda que, apesar da convicção do chefe da equipe econômica, Haddad foi convencido que “tinha um problema”.
“Nós estávamos mexendo com uma parcela muito grande da sociedade. O rico, quando ele viaja, pode gastar até US$ 2 mil fora e não paga imposto. O que eu digo? Cinquenta do povo incomoda. Então, houve uma pressão muito grande para acabar com isso”, finalizou.
