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Brasil

Lula anuncia visita à Terra Yanomami: "Nunca foi um governante lá"

Presidente está em Minas Gerais para o lançamento do programa Gás do Povo, que vai substituir o Auxílio Gás

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Ricardo Stuckert / PR
Presidente Lula

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou, nesta quinta-feira (4/9), que irá visitar a Terra Indígena Yanomami, em Roraima. No primeiro ano de governo, em 2023, foi noticiada uma grave crise de saúde na região, com casos de desnutrição e malária, em decorrência da presença de criminosos na região.

A declaração do petista sobre a visita, ainda sem data definida, acontece durante evento de lançamento do programa Gás do Povo, que vai substituir o Auxílio Gás, em Belo Horizonte, capital de Minas Gerais.

“Fomos eleitos para cuidar do povo mais necessitado desse país. Eu, por exemplo, tô marcando uma viagem minha agora […] Uma viagem a mais de 500 quilômetros, selva adentro, em Roraima, que eu quero visitar o povo Yanomami no coração da selva amazônica, porque nunca foi um governante lá. E não tem como ir de barco, não tem como ir de estrada, porque não tem estrada”, disse Lula.

A Terra Yanomami sofre com a presença intensa de criminosos, como garimpeiros e madeireiros ilegais. Ainda em 2023, o presidente Lula decretou estado de emergência sanitária e uma série de medidas com o intuito de retirar os invasores da região e garantir o acesso à saúde da população local.

“Dizem que é perigoso ir lá, dizem que é perigoso. Eu vou, porque aqueles indígenas estavam no Brasil antes dos portugueses chegarem aqui. Nós temos a obrigação de tratá-los com respeito. Eles são brasileiros e o presidente tem que estar lá com eles”, completou Lula.

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Reprodução/Fiocruz
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Fernando Frazão/Agência Brasil
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Rovena Rosa/Agência Brasil

Em 2024, um estudo da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) mostrou que indígenas de nove aldeias do território Yanomami estavam contaminados por mercúrio. Os pesquisadores identificaram a presença do metal pesado em amostras de cabelo de aproximadamente 300 pessoas, incluindo crianças e idosos.

Das amostras de cabelo examinadas, 84% registraram níveis de contaminação por mercúrio acima de 2,0 µg/g. Outros 10,8% ficaram acima de 6,0 µg/g, percentual considerado alto.

Segundo a Fiocruz, os indígenas com níveis mais elevados de mercúrio apresentaram déficits cognitivos e danos em nervos nas mãos, braços, pés e pernas. A Organização Mundial da Saúde (OMS) alerta que níveis acima de 6 microgramas de mercúrio por grama de cabelo (μg.g-1 ) podem trazer sérias consequências à saúde.

Lula em Minas Gerais

Com o intuito de recuperar a popularidade, o petista escolheu Belo Horizonte para o lançamento da nova aposta do seu governo, que irá oferecer o botijão de gás de cozinha (GLP) de forma gratuita para a população de baixa renda. Na ocasião, o presidente reforçou que “fomos eleitos para cuidar do povo mais necessitado desse país”.


Novo programa

  • Atualmente, o Auxílio Gás é pago a cerca de 5 milhões de famílias e oferece um subsídio de R$ 108 para custeio do botijão de gás.
  • O valor atual corresponde à média nacional, calculada pela Agência Nacional de Petróleo (ANP).
  • Há, no entanto, estados em que a média fica em torno de R$ 140 — tornando o subsídio insuficiente.
  • O objetivo do governo é substituir o modelo atual por um voucher, que poderá ser trocado pelo botijão de gás nas distribuidoras.

Como vai funcionar

A proposta do governo é distribuir uma espécie de voucher, que vai permitir a retirada de botijões em distribuidoras por beneficiários inscritos no Cadastro Único (CadÚnico). A implementação do programa ocorrerá de forma gradual até alcançar 15,5 milhões de famílias, em março de 2026.

O Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2026, enviado ao Congresso Nacional na semana passada, prevê a reserva de R$ 5,1 bilhões de recursos federais para o programa.

Com o novo modelo, o governo pretende coibir o desvio da verba destinada à compra do gás para outros fins. Além disso, o Executivo quer reduzir os acidentes causados pelo uso de lenha, álcool e outros materiais na cozinha pela população mais pobre.

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