Líder empresarial goiano defende tratamento precoce para Covid-19

Presidente da Federação das Indústrias, Sandro Mabel pede a MPF que prefeitos que não adotarem a medicação precoce sejam responsabilizados

atualizado

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Goiânia – O presidente da Federação das Indústrias de Goiás (FIEG), Sandro Mabel, solicitou ao Procurador Geral da República, Augusto Aras, a responsabilização dos gestores municipais goianos que não adotarem o uso de medicação precoce no combate à Covid-19.

Na tarde desta terça-feira (9/3), Mabel participou, de forma virtual, de uma reunião com o Procurador Geral, junto com o deputado federal Giovani Cherini (PL/PR), com a presença também de médicos que defendem o uso da medicação precoce na prevenção da Covid, como a pesquisadora Lucy Kerr.

Na ocasião, Mabel apresentou documentos emitidos pelo Ministério Público Federal em Goiás (MPFGO) recomendando a 117 prefeituras o uso de medicamentos como hidroxicloroquina, azitromicina, ivermectina, nitazonaxida, além de suplementos de zinco e vitaminas C e D no tratamento precoce de pacientes com Covid-19.

Contrário

No último sábado (6/3), o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (DEM), que também é médico, rebateu a a sugestão do Ministério Público Federal em Goiás (MPFGO). O democrata zombou da orientação defendida pelo órgão.

“É melhor sugerir o uso de chá de fedegoso. Tem o mesmo efeito no combate à Covid-19 [nenhum], mas pelo menos não causa esses efeitos colaterais graves”, afirmou ele.

Caiado e Mabel, aliás, já se estranharam em várias oportunidades recentes relacionadas com o novo coronavírus. Uma das primeiras foi no episódio em que o estado de Goiás recepcionou um avião com brasileiros vindos da China, ainda no início de 2020, quando a doença se espalhava por lá.

Os brasileiros passaram a quarentena na Base Aérea de Anápolis. À epoca, Mabel fez críticas pesadas à postura do governador, dizendo que ele estaria colocando o estado em risco, e foi rebatido com a mesma intensidade.

Sobre o tratamento precoce, a Secretaria de Estado da Saúde de Goiás (SESGO) já negou, mais de uma vez, qualquer possibilidade de aplicação de medicamentos que não possuem validação científica ou eficácia comprovada como tratamento de pacientes acometidos pelo coronavírus. A posição, aliás, é comum a vários órgãos e especialistas.

Apoio

Ministério Público Federal em Goiás (MPF-GO) divulgou nota técnica em que apoia o uso de medicamentos como hidroxicloroquina e ivermectina no tratamento precoce contra Covid-19, apesar de não haver comprovação científica sobre a eficácia dessa terapia e do uso dessas drogas no tratamento de pacientes com a doença.

O documento, publicado na terça-feira da semana passada (2/3), tem 117 páginas e leva o título As evidências científicas acerca do atendimento integral das pessoas acometidas com a Covid-19: o estado da arte atual, com ênfase no tratamento na fase inicial (replicação viral) da doença.

O estudo foi solicitado pelo procurador da República Ailton Beneditoex-secretário de Direitos Humanos e Defesa Coletiva do MPF. Ele é defensor fervoroso do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e conhecido pelo seu perfil ultraconservador.

Ineficácia

Das seis empresas farmacêuticas que fabricam cloroquina ou hidroxicloroquina no Brasil, quatro não recomendam o remédio para tratar a covid-19; entre elas, a Apsen, principal fabricante do medicamento no país. O outros três laboratórios que rejeitam o tratamento são Farmanguinhos/Fiocruz, EMS e Sanofi-Medley. A Organização Mundial de Saúde (OMS) rejeita de forma conclusiva o medicamento para este fim.

Já em maio de 2020, a Sociedade Brasileira de Imunologia alertava para a falta de evidência da hidroxicloroquina e para as reações adversas. “Baseados nas evidências atuais que avaliaram a utilização da hidroxicloroquina para a terapêutica da COVID-19, a Sociedade Brasileira de Imunologia conclui que ainda é precoce a recomendação de uso deste medicamento na COVID-19, visto que diferentes estudos mostram não haver benefícios para os pacientes que utilizaram hidroxicloroquina. Além disto, trata-se de um medicamento com efeitos adversos graves que devem ser levados em consideração”, informou à epóca.

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