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Integrantes da força-tarefa da Lava Jato do Rio de Janeiro deflagraram a Operação Ressonância na manhã desta quarta-feira (4/7) e cumprem 22 mandados de prisão, busca e apreensão contra esquema de corrupção na Secretaria de Saúde do Rio de Janeiro. Segundo o Ministério Público Federal, as investigações apontam para fraudes em licitações e formação de cartel envolvendo empresas multinacionais no fornecimento de material hospitalar.

Entre os alvos dos mandados, estão o empresário Miguel Iskin e o ex-secretário estadual de Saúde Sérgio Côrtes (foto em destaque). Ambos foram presos na primeira fase da Operação Fratura Exposta e soltos meses depois pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes.

Na operação desta quarta (4), os mandados estão sendo cumpridos no Rio de Janeiro, São Paulo, Paraíba, Minas Gerais e Distrito Federal. De acordo com a polícia, os presos e o material apreendido serão encaminhados para detenção no Rio.

A chamada operação Ressonância investiga 37 empresas que participariam de um cartel formado para direcionar os vencedores e os valores a serem pagos nos contratos de fornecimento ao Into, localizado na região portuária do Rio, de acordo com as autoridades.

De acordo com a TV Globo, executivos da empresa holandesa Philips estão entre os investigados. A Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão na sede da companhia em São Paulo.

Primeira fase
A primeira fase da Operação Fratura Exposta, deflagrada em abril de 2017, mirou desvios de mais de R$ 300 milhões no governo de Sérgio Cabral (MDB). Além de Iskin e Côrtes, foi preso Gustavo Estellita. O trio foi indiciado por corrupção passiva e ativa, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

A operação investiga fraudes em licitações para o fornecimento de próteses para o Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (Into). Segundo a apuração, quando era diretor do Into, Sérgio Côrtes teria favorecido a empresa Oscar Yskin, da qual Miguel é sócio, nas licitações do órgão. Gustavo Estellita é sócio de Miguel em outras empresas e já foi gerente comercial da Oscar Iskin.

A Polícia Federal ainda diz, por meio de nota, que o “objetivo dessa atuação seria direcionar os vencedores e os valores a serem pagos nos contratos de fornecimento do Instituto. Outras empresas interessadas em participar das licitações precisavam passar a integrar o cartel coordenado por essa grande empresa do ramo para ampliar as chances de sucesso”.

Também são investigados desvios na secretaria estadual de saúde, com o pagamento de propina para o esquema criminoso comandado pelo ex-governador Sérgio Cabral. O esquema envolveria pregões internacionais, com cobrança de propina de 10% nos contratos, nacionais e internacionais. Desse percentual, 5% caberia ao ex-governador, 2% a Sérgio Côrtes, 1% para o delator Cesar Romero, 1% para o Tribunal de Contas do Estado (TCE) e 1% para sustentar o esquema.

As investigações começaram a partir da delação premiada de César Romero, que trabalhou com o ex-diretor do Into e entregou todo o esquema. A Iskin é uma das maiores fornecedoras de próteses do Rio.

As empresas do esquema atuariam de forma conjunta para, com aval dos envolvidos, burlar a competitividade das concorrências públicas e favorecer sempre a Oscar Iskin.

De acordo com a Polícia Federal, o nome da ação, Ressonância, “é uma referência ao tipo de exame médico utilizado para diagnosticar a existência de doenças e a sua extensão”.