Laudo da PF afirma que indígena foi morto por afogamento no Amapá
Investigadores descartam possibilidade de o líder ter sido esfaqueado e enforcado, como apontou a aldeia à polícia
atualizado
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Laudo da Polícia Federal, divulgado nesta sexta-feira (16/08/2019), “sugere fortemente” que o índio Emyra Waiãpi, de 62 anos, foi morto por afogamento. Os investigadores descartam a possibilidade de enforcamento e desmentem as informações da aldeia de que ele teria sido atacado a facadas por garimpeiros.
Emyra Waiãpi foi encontrado morto em um rio no dia 23 de julho, em uma aldeia indígena no Oeste do Amapá. Segundo a Polícia Militar (PM), o cacique tinha várias perfurações. O povo Waiãpi afirmou ter sido alvo de uma invasão de garimpeiros. Em primeiras buscas no local, a PF não identificou nenhum indício do que foi denunciado.
A PF recebeu o resultado preliminar do exame necroscópico no fim da tarde dessa quinta-feira (15/08/2019). O documento é da Polícia Técnica do Estado do Amapá (Politec-AP) e foi realizado no último dia 02, após o corpo do indígena ter sido exumado, sob autorização da aldeia, apesar de contrariar a cultura local.
“Ao realizar o exame interno, o laudo indica que a ferida encontrada na cabeça de Emyra Waiãpi, tratava-se de lesão superficial, que não atingiu planos profundos, e que não houve fraturas. Não foram encontradas, ainda, na região do pescoço, lesões traumáticas ou sulcos evidenciáveis de enforcamento”, afirma a PF.
O exame do tórax do indígena também não evidenciou a existência de lesões penetrantes, segundo a PF, o que desmente as primeiras notícias que davam conta de que a liderança teria sido atacada a facadas.
“O Laudo conclui que o conjunto de sinais apresentados no exame, corroborado com a ausência de outras lesões com potencial de causar a morte, sugere fortemente a ocorrência de afogamento como causa da morte de Emyra Waiãpi“, complementa.
Segundo a PF, o resultado do exame é fundamental para a continuidade da investigação, já em andamento, para apurar as circunstâncias da morte ocorrida na aldeia Karapijoty.
A corporação ainda aguarda o laudo complementar toxicológico, com previsão de ser entregue em 30 dias, que tratará das amostras retiradas dos órgãos internos, encaminhadas ao Laboratório de Toxicologia Forense.
O resultado do laudo complementar, afirmou a PF, servirá apenas para auxiliar na investigação das circunstâncias dos fatos, não interferindo, contudo, na conclusão pericial quanto à causa da morte por afogamento.
