Temer foi preso por delegado que o indiciou no Inquérito dos Portos
Cleyber Malta Lopes estava no encalço do ex-presidente desde 2017, onde o emedebista foi indiciado com mais 10 pessoas por corrupção

O delegado Cleyber Malta Lopes estava no encalço do ex-presidente Michel Temer (MDB) desde 2017, na investigação do Inquérito dos Portos, que apurava se empresas do setor portuário pagaram propina em troca de serem beneficiadas com a edição do Decreto dos Portos por Temer. Nesta quinta-feira (21/3), o delegado conseguiu colocar o emedebista atrás das grades, porém, no âmbito da Operação Lava Jato.
Nos seus 15 anos de carreira, quatro deles na divisão de Contrainteligência – o terreno mais “espinhoso” da Polícia Federal -, Lopes deu vários sinais de que não se rende a pressões e não se comove com a influência de autoridades por ele investigadas.
Quando investigou o caso dos Portos, Lopes negociou um acordo com José Antunes Sobrinho, da Engevix, que relatou pagamento de propina ao emedebista. O material foi encaminhado ao Rio e usado para basear a operação desta quinta.
Hoje, Lopes é o chefe do Sinq, o grupo especial da PF que investiga autoridades com foro.
Inquérito dos Portos
Em 2017, o então presidente da República Michel Temer foi indiciado, junto com mais 10 pessoas, por corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
Entre os indiciados estavam: o ex-assessor especial da Presidência e ex-deputado federal Rodrigo Rocha Loures (MDB); o coronel João Baptista Lima Filho, preso juntamente com Temer nesta manhã; sua mulher, Maria Rita; pessoas ligadas à empresa Argeplan, do ex-militar; empresários da Rodrimar; e a filha de Temer, Maristela.
Na época, o relatório foi remetido pelo ministro Roberto Barroso, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), à Procuradoria-Geral da República (PGR).
Descontaminação
A detenção do ex-presidente deu-se no âmbito da Operação Descontaminação, um desdobramento da Lava Jato, e que cumpriu oito mandados de prisão preventiva, dois mandados de prisão temporária e 26 de busca e apreensão, nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo e Paraná, além do Distrito Federal. Parte da apuração refere-se ao pagamento de propinas para a construção da usina Angra 3, no Rio de Janeiro.
A investigação teria como base as delações de Antunes Sobrinho, ligado à Engevix, e do operador financeiro Lucio Funaro. Sobrinho citou acordo sobre pagamentos indevidos que somam R$ 1,1 milhão, em 2014, solicitados por João Baptista Lima Filho, coronel da reserva da Polícia Militar e amigo de Temer desde os anos 1980, e pelo ministro Moreira Franco, com anuência do então presidente, no contexto do contrato da AF Consult Brasil com a Eletronuclear.
Além de Temer, Moreira Franco e o coronel Lima, os pedidos de prisão atingem: Maria Rita Fratezi, arquiteta e mulher do coronel Lima; Carlos Alberto Costa, sócio do coronel Lima na Argeplan; Carlos Alberto Costa Filho, diretor da Argeplan e filho de um dos envolvidos na operação; Vanderlei de Natale, sócio da Construbase; e Carlos Alberto Montenegro Gallo, administrador da empresa CG IMPEX.
Habeas Corpus
Ainda nesta quinta, a defesa do ex-presidente entrou com pedido de habeas corpus no Tribunal Regional Federal da 2° Região (TRF-2) do Rio de Janeiro.
O recurso foi distribuído ao desembargador federal Ivan Athié, relator da Operação Prypiat na Corte carioca, pois o caso de Temer é conexo à investigação.


