Procuradores da Lava Jato na PGR entregam cargos em protesto a Dodge

Grupo de seis integrantes alegou "grave incompatibilidade de entendimento" com a procuradora-geral

Michael Melo/MetrópolesMichael Melo/Metrópoles

atualizado 05/09/2019 11:56

Os seis procuradores que fazem parte da força-tarefa da Lava Jato na Procuradoria-Geral da República (PGR) pediram demissão coletiva na noite desta quarta-feira (04/09/2019) em protesto contra a titular do órgão, Raquel Dodge.

A decisão foi anunciada em mensagem enviada a colegas em grupos de WhatsApp. Veja o comunicado:

“Devido a uma grave incompatibilidade de entendimento dos membros desta equipe com a manifestação enviada pela PGR ao STF na data de ontem (03.09.2019), decidimos solicitar o nosso desligamento do GT Lava Jato e, no caso de Raquel Branquinho, da SFPO [Secretaria da Função Penal Originária]. Enviamos o pedido de desligamento da data de hoje. Foi um grande prazer e orgulho servir à Instituição ao longo desse período, desempenhando as atividades que desempenhamos. Obrigada pela parceria de todos vocês. Nosso compromisso será sempre com o Ministério Público e com a sociedade.”

Além de Raquel Branquinho, assinam o comunicado os procuradores Maria Clara Noleto, Luana Vargas, Hebert Mesquita,Victor Riccely e Alessandro Oliveira.

Os membros do Ministério Público não detalham, no entanto, qual manifestação da procuradora-geral os desagradou. Nessa terça (03/09/2019), Raquel Dodge enviou ao Supremo a delação premiada do empresário Léo Pinheiro, ex-presidente da construtora OAS.

Pinheiro começou a negociar sua delação em 2016, quando a PGR ainda era comandada por Rodrigo Janot. Os depoimentos do empreiteiro foram usados para condenar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no caso do triplex do Guarujá, mas o acordo de delação só foi assinado em dezembro de 2018.

Nos meses seguintes, o acordo ficou na gaveta de Dodge, até que, em julho deste ano, a defesa de Léo Pinheiro protocolou uma reclamação ao gabinete do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) que relata a Lava Jato, Edson Fachin. O magistrado enviou a cobrança para a PGR e a resposta veio agora, com o pedido de homologação, mas parece ter desagradado os procuradores que negociaram a delação.

Em sua mensagem à Suprema Corte, a procuradora-geral sugere o arquivamento de partes da delação que citam, por exemplo, o presidente do STF, ministro Dias Toffoli.

Vaja jato
Diálogos de procuradores da Lava Jato em Curitiba (não são os mesmos da PGR) revelados pelo site The Intercept Brasil em parceria com o jornal El País no dia 9 de agosto de 2019 mostram intenso descontentamento com Dodge por causa da demora em fazer andar a delação de Léo Pinheiro. “A mensagem que a demora passa é que [Dodge] não tá nem aí para a evolução das investigações de corrupção. Dá saudades do Janot”, diz o coordenador da força-tarefa em Curitiba, Deltan Dallagnol, em uma das mensagens vazadas.

Na sequência, o coordenador da Lava Jato ainda sugeriu uma pressão contra Raquel “usando” a imprensa “em off”, passando informação a jornalistas sem se identificar, uma estratégia várias vezes cogitada pelo procurador nas mensagens.

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