Por que Weintraub será investigado por racismo? Entenda
O ministro Celso de Mello, do STF, autorizou a abertura de inquérito contra o ministro da Educação por postagem contra chineses

Assíduo nas redes sociais, o ministro Abraham Weintraub, da Educação, é conhecido pelas postagens polêmicas. Mas, dessa vez, um texto divulgado por ele, com insinuações contra chineses, o fez ser alvo de um inquérito, pelo suposto crime de racismo, no Supremo Tribunal Federal (STF).
Atendendo a pedido da Procuradoria-geral da República (PGR), o ministro Celso de Mello autorizou o curso das investigações contra o ministro da Educação.
No início do mês, Weintraub insinuou em uma rede social que a China poderia se beneficiar, de propósito, da crise mundial causada pelo coronavírus. Momentos depois, ele apagou o texto.
Crime
Segundo o vice-procurador-geral da República, Humberto Jacques de Medeiros, a conduta do ministro configura, em tese, infração penal prevista na lei que define os crimes resultantes de preconceito, citada no artigo 20 da Constituição Federal.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles“Praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional”, diz a lei. A conduta é punível com um a três anos de prisão e multa.
Próximos passos
A partir da abertura das investigações, Weintraub vai prestar depoimento sobre o caso. Na decisão, Celso de Mello deixou claro que o ministro não tem prerrogativa de definir quando e onde será ouvido, como indicou a PGR. Isso porque Weintraub não falará como testemunha, mas investigado.
O STF autorizou ainda a obtenção dos dados referentes ao acesso usado para publicar o post – por exemplo, o IP (código único de cada computador conectado à internet) utilizado para o acesso à internet. O prazo é de 90 dias para a conclusão das investigações. Segundo o ministro, isso ocorre em função da pandemia do coronavírus.
Postagem polêmica
Na postagem, Weintraub disse que a China vai sair “relativamente fortalecida” da crise do coronavírus e que isso condiz com os planos do país de “dominar o mundo”. Disse ainda que haveria, no Brasil, parceiros dos chineses nesse objetivo.
“Geopolíticamente [sic], quem podeLá saiL foLtalecido, em teLmos Lelativos, dessa cLise mundial? PodeLia seL o Cebolinha? Quem são os aliados no BLasil do plano infalível do Cebolinha paLa dominaL o mundo? SeLia o Cascão ou há mais amiguinhos?”, escreveu Weintraub, fazendo graça.
Para ilustrar a postagem, ele publicou ainda uma foto de uma capa de um gibi da Turma da Mônica, que mostra os personagens na China. Usando o personagem Cebolinha, que troca o “R” pelo “L”, Weintraub ridicularizou o fato de alguns chineses, quando falam português, efetuarem a mesma troca de letras.



