Ministro se diz inocente e “constrangido” por estar na lista de Fachin

Chefe das Cidades, Bruno Araújo falou com jornalistas em Lisboa antes de participar do segundo dia do V Seminário Luso-Brasileiro de Direito

atualizado

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Ministros do governo Michel Temer – Brasília – DF 12/05/2016
1 de 1 Ministros do governo Michel Temer – Brasília – DF 12/05/2016 - Foto: Daniel Ferreira/Metrópoles

O ministro das Cidades, Bruno Araújo (PSDB-PE), afirmou nesta quarta-feira (19/4) que ficou surpreso por integrar a lista do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Edson Fachin, que autoriza a abertura de inquérito contra políticos. “Estou mais que constrangido. Quem tem vergonha na cara tem que se constranger. Diferente disso, é não saber o que isso significa”, argumentou. Para o chefe da pasta, o constrangimento só pode de ser reparado por meio de um processo no STF.

Araújo explicou que a petição feita na segunda (17), para que o inquérito que o investiga sobre o recebimento de recursos da Odebrecht seja separado da Operação Lava Jato, teve objetivo de deixar claro que, no seu caso, as apurações não têm relação com a ação da Polícia Federal. “A questão é mais política que jurídica. Politicamente, é muito importante nos distanciar do tema Lava Jato”, afirmou.

O ministro disse que “fatos eventualmente imputados a nós” são fortemente repelidos e enfatizou mais uma vez que não têm qualquer conexão com o caso da Petrobras. “Nesse primeiro momento, além de apreciar como tendo sido descabida qualquer imputação de corrupção, queremos nos distanciar de temas que, conforme os próprios delatores, nunca tiveram qualquer relação de contrapartida”, reforçou.

De acordo com o Ministério Público, um dos colaboradores no processo de delação informou que, diante da influência do parlamentar Bruno Araújo (que é deputado federal), decidiu-se manter com ele uma boa relação. Vários repasses foram feitos nos anos de 2010 e 2012 como doação eleitoral no valor de R$ 600 mil, uma soma não contabilizada e paga pelo Setor de Operações Estruturadas do Grupo Odebrecht.

Um dos delatores também disse que quando no exercício do cargo de deputado federal, Araújo agiu em defesa dos interesses da construtora no Congresso Nacional. Segundo o relatório do ministro Edson Fachin, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, sustenta que há indícios de que o agora ministro praticou os crimes de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e corrupção ativa.

Bruno Araújo falou com jornalistas na capital portuguesa antes de participar do segundo dia do V Seminário Luso-Brasileiro de Direito, promovido pela Escola de Direito de Brasília do Instituto Brasiliense de Direito Público (EDB/IDP) e pela Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa (FDUL).

Eleições
Cotado como candidato para a eleição ao governo de Pernambuco em 2018, o ministro das Cidades tentou desconversar sobre seu futuro político durante passagem pela capital portuguesa. “Já assisti filmes de mudanças das mais drásticas na política. A gente segue trabalhando, entregando as transformações dentro do Ministério das Cidades”, disse. Bruno Araújo já foi deputado estadual e deputado federal.

O ministro avalia que 2018, para o tempo da política, ainda está muito longe. “Só quem tem atenção hoje em processo eleitoral são os políticos e os jornalistas. O povo está preocupado em como atenuar 13 milhões de desempregados. A sociedade real está preocupada em como fazer a economia ser reativada, os empregos serem recriados e, em 2018, a sociedade vai decidir”, desconversou.

Ele considerou que há uma grande descrença da comunidade internacional em relação à política e, de um modo especial, no Brasil. “Agora, não adianta os nossos mais jovens ficarem de fora. Quem está fora e acha que está ruim precisa ter a coragem de, em 2018, vir para dentro do processo político e ajudar fazer transformações. Não adianta apenas ficar gritando do lado de fora, tem que vir para dentro e fazer o enfrentamento de dentro do jogo”, instigou.

O ministro falou com jornalistas na capital portuguesa antes de participar do segundo dia do V Seminário Luso-Brasileiro de Direito, promovido pela Escola de Direito de Brasília do Instituto Brasiliense de Direito Público (EDB/IDP) e pela Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa (FDUL).

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