Médico é condenado por lesbofobia: “Não sei que espécie é. Aqui não”

Dorival Ricci Junior foi condenado a um ano e três meses de reclusão mais multa. Ele terá que pagar ainda uma indenização à vítima

atualizado 27/05/2022 17:43

O médico bolsonarista Dorival Ricci Junior, de 49 anosReprodução/ Redes sociais

O médico Dorival Ricci Junior (foto em destaque) foi condenado a um ano, três meses e 22 dias de reclusão após expulsar do hospital do qual é administrador uma cuidadora de idosos lésbica.

Ele também terá que pagar multa de R$ 13.332,00, além de indenização de R$ 30 mil à mulher por danos morais.

Em referência à vítima, de 36 anos, o médico disse não saber “que espécie que é, se é homem ou se é mulher”. Dorival Ricci Junior também disse que “aqui não pode”, e perguntou como ela entrou na unidade de saúde. “Não quero saber, saia do meu hospital”, disse.

A denúncia foi apresentada pelo Ministério Público do Paraná em março do ano passado. O Metrópoles revelou, em primeira mão, a identidade do agora condenado.

Os crimes alegados ocorreram em 29 de janeiro de 2020, no Hospital Paraíso, em Paraíso do Norte – pequena cidade no interior do Paraná, a 516 quilômetros de Curitiba.

A atitude caracteriza o crime tipificado no artigo 20 da Lei 7.716/89. O médico pode recorrer da sentença.

“Isso não pode”

Segundo a Promotoria de Justiça, o médico, “agindo dolosamente, ciente da ilicitude e reprovabilidade da conduta, imbuído de ânimo lesbofóbico”, praticou discriminação em razão de orientação sexual contra a vítima, impedindo que ela exercesse o trabalho.

A mulher havia sido contratada para acompanhar um idoso que estava internado no Hospital Paraíso – herdado por Dorival Ricci Junior do pai, o médico Dorival Ricci, considerado pioneiro da cidade e morto no início do ano passado após apresentar problemas cardíacos.

Na ocasião, Dorival Ricci Junior, ao entrar na enfermaria onde trabalhava a vítima, indagou a uma enfermeira que o acompanhava se ela “teria estudado o caso dela”, em referência à homossexual. A profissional de saúde respondeu que a mulher era “feminina”.

“Isso não pode. O que isso aqui está virando?”, perguntou o médico, em estado de ânimo alterado, à enfermeira, na frente da vítima. Em seguida, Dorival Junior questionou outras enfermeiras: “Vocês não se sentiriam constrangidas se ela as visse urinando?”

“Após a vítima tentar, sem sucesso, interpelá-lo diante das ofensas lesbofóbicas, o acusado disse, ainda: ‘Não quero saber, saía do meu hospital’, ‘Não sei que espécie que é, se é homem ou se é mulher’ e ‘Aqui não pode’”, prosseguiu a promotoria.

O médico também foi acusado de falsidade ideológica, mas a Justiça o absolveu.

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