Lava Jato denuncia executivos de empresa por corrupção e lavagem

Segundo a força-tarefa, réus pactuaram pagamento de propinas em contratos da Petrobras que somaram mais de R$ 400 milhões

Daniel Ferreira/MetrópolesDaniel Ferreira/Metrópoles

atualizado 14/10/2019 18:38

A força-tarefa da Operação Lava Jato no Ministério Público Federal no Paraná (MPF-PR) denunciou, nesta segunda-feira (14/10/2019), os executivos da Jaraguá Equipamentos Industriais S.A. pela prática de crimes de corrupção ativa e lavagem de dinheiro.

Foram acusados Álvaro Bernardes Garcia, Nasareno das Neves, Ricardo Pinto Korps, Wagner Othero e Cristian Jaty Silva. Também foram denunciados Marcio Andrade Bonilho e Waldomiro de Oliveira, pelo crime de lavagem de ativos.

Conforme apurado nas investigações, os executivos da Jaraguá Equipamentos prometeram pagamentos de propina relativos a quatro contratos para obras na Refinaria de Abreu e Lima (Rnest), da Petrobras, cujos valores iniciais totalizavam em conjunto R$ 400.440.776,38.

O MPF identificou que pelo menos R$ 5.854.200,04 foram repassados pela Jaraguá Equipamentos, mediante sucessivas operações de lavagem de dinheiro, a título de pagamento das propinas.

De acordo com a denúncia, os valores ilícitos foram repassados de maneira dissimulada pela Jaraguá Equipamentos de duas formas: transferência de R$ 4.069.200,04, por meio de transações bancárias fundadas em contratos e notas fiscais ideologicamente falsos, com a utilização de empresas controladas pelos operadores Alberto Youssef, Marcio Bonilho e Waldomiro de Oliveira.

Além disso, houve oito transferências no valor total de R$ 1.785.000 por meio de doações eleitorais oficiais, realizadas pela Jaraguá Empreendimentos a candidatos do Partido Progressista (PP) nas eleições de 2010.

Segundo revelado pelos próprios envolvidos, as doações eleitorais aos integrantes do PP, responsáveis por manter Costa na posição de diretor da Petrobras, foram feitas após a contratação da Jaraguá Equipamentos na Rnest. Youssef foi o responsável por definir os candidatos e valores a serem doados em favor do partido, o que foi acatado pelos executivos da empresa.

Por tais crimes, os ex-deputados federais do PP João Alberto Pizzolatti Junior, Mário Silvio Mendes Negromonte e Luiz Fernando Ramos Faria já foram denunciados perante o Supremo Tribunal Federal (STF) – a acusação foi recebida e, na sequência, declinada para a competência da 13ª Vara Federal em Curitiba.

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