Justiça de Goiás mantém tornozeleira com Rocha Loures, o homem da mala
MPGO promete recorrer, pois entende que o ex-deputado foi favorecido ao passar à frente de outros detentos

O juiz Reinaldo Alves Ferreira, da 1ª Vara da Fazenda Pública de Goiás, negou o pedido do Ministério Público estadual (MPGO) e decidiu manter com Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR) a tornozeleira eletrônica cedida para o ex-deputado. A decisão foi publicada nesta sexta-feira (28/7).
Segundo o magistrado, “ao que tudo indica, como se depreende das informações prestadas ao autor (MPGO) pelo secretário de Segurança Pública do Estado de Goiás, o Departamento Penitenciário Nacional (Depen) seria o órgão que teria solicitado a cessão da tornozeleira, a qual teria sido cedida como forma de cooperação federativa”.
O promotor Fernando Krebs, responsável pela ação que pede a devolução do equipamento, informou que recorrerá da decisão, por meio de um agravo de instrumento que será apresentado ao Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO). “A tornozeleira pertence ao estado e não deveria estar com o acusado. Se está, é porque houve favorecimento político”, suspeita Krebs.Polêmica
O caso ganhou proporções de escândalo em Goiás, uma vez que, conforme o Metrópoles revelou no início deste mês, Rocha Loures passou à frente de outros 100 presos para conseguir o benefício. Com o sistema de monitoramento, ele pôde deixar o Complexo Penitenciário da Papuda, no Distrito Federal, para ficar detido em regime domiciliar.
O episódio custou o cargo de Victor Dragalzew Júnior, superintendente-executivo de Administração Penitenciária da Secretaria de Segurança Pública e Administração Penitenciária. Ele foi exonerado na última sexta (21). A publicação do ato, assinado pelo governador Marconi Perillo (PSDB), consta em edição extra do Diário Oficial do DF divulgada no dia 24.
STF
Rodrigo Rocha Loures ficou preso em Brasília entre 3 de junho e 1º de julho. No dia 30 de junho, ele conseguiu o direito à prisão domiciliar. A decisão foi do relator da Operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal, ministro Edson Fachin. No entanto, o benefício estava condicionado ao uso da tornozeleira eletrônica.
Como o DF não tinha o equipamento, o aparelho foi cedido pelo estado de Goiás. Acionada pela reportagem, a Secretaria de Segurança Pública goiana negou que Rocha Loures tenha furado fila e disse que a concessão de tornozeleiras foi regularizada em 14 de junho.
Porém, documentos obtidos com exclusividade pelo portal mostram que, desde que Loures deixou a Papuda, ao menos outros três detentos de Goiás foram impedidos de migrar para a prisão domiciliar no estado por falta do aparelho eletrônico.
Rodrigo Rocha Loures foi preso após gravações feitas pela Polícia Federal apontarem que ele recebeu uma mala com R$ 500 mil, suposta propina paga pelo frigorífico JBS e que teria como destinatário final o presidente Michel Temer (PMDB).


















