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O juiz Vallisney de Souza Oliveira, da 10ª Vara Federal de Brasília, aceitou denúncia contra o ex-deputado federal e ex-ministro Henrique Eduardo Alves. Segundo o Ministério Público Federal, ele usou offshores nos Emirados Árabes e no Uruguai para esconder a origem de dinheiro ilícito desviado dos fundos FI-FGTS da Caixa Econômica Federal.

Com a decisão do magistrado, o ex-ministro se torna réu em mais uma ação penal. Só no Tribunal Regional Federal da 1ª Região, o ex-ministro já é réu em outras duas ações penais, por envolvimento no esquema de desvios nos fundos FI-FGTS. Em uma delas, inclusive, já foi condenado a 8 anos e 8 meses de reclusão, também por lavagem de dinheiro.

“Sem prejuízo de análise mais acurada em fase posterior, considerando que o mesmo réu já foi processado e julgado por fatos conexos anteriores, até agora está demonstrada a plausibilidade das alegações contidas na denúncia […]”, afirmou o juiz Vallisney em sua decisão.

O magistrado deu prazo de 10 dias para que Henrique Eduardo Alves apresente resposta à acusação, junte provas ao processo e escolha testemunhas para deporem durante a instrução.

O esquema foi descoberto após a deflagração da Operação Sépsis, em julho de 2016. Segundo as investigações, entre 2011 e 2015, o grupo — que incluía o ex-deputado federal Eduardo Cunha e o operador financeiro Lúcio Funaro — operou  um mecanismo de cobrança de propina de empreiteiras, em troca de apoio em aportes do Fundo FI-FGTS e das carteiras administradas do FGTS, da Caixa Econômica.