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Justiça

Fachin manda ao pleno do STF pedido para anular sentença da Lava Jato

Ministro defende que é preciso "uniformizar" entendimento sobre ordem das alegações finais de réus delatores e delatados nos processos

Lourenço Flores28/08/2019 21:30
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Nelson Jr./SCO/STF
Fachin, que é relator do processo, também pediu manifestações da Procuradoria-Geral da República e da Advocacia-Geral da União

Depois de mandar uma ação relativa ao Instituto Lula voltar à etapa das alegações finais, devido a um novo entendimento no Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro Edson Fachin, relator dos casos ligados à Operação Lava Jato, decidiu nesta quarta-feira (28/08/2019) que caberá ao plenário da Corte decidir um processo que discute a ordem das alegações finais de réus delatores e delatados.

O tema foi o centro da decisão da Segunda Turma na terça-feira (27/08/2019) de anular a condenação do ex-presidente da Petrobras Aldemir Bendine imposta pelo então juiz federal Sergio Moro, hoje ministro da Justiça e Segurança Pública de Jair Bolsonaro. Bendine havia sido sentenciado por corrupção e lavagem de dinheiro. Foi a primeira condenação decidida por Moro derrubada pelo STF.

O pedido de habeas corpus que Fachin enviou para deliberação de todos os ministros no plenário foi o do ex-gerente de Empreendimentos da Petrobras Márcio de Almeida Ferreira, também condenado por corrupção e lavagem.

O ministro avaliou ser preciso preservar “a segurança jurídica e a estabilidade” das decisões do Supremo, “uniformizando o entendimento das duas turmas” da Corte.

“Com vistas a angariar segurança jurídica e estabilidade jurisprudencial, nos termos da previsão regimental, […] afeto a presente impetração [de habeas corpus] à deliberação do Plenário, cujo objeto traduz controvérsia a merecer exame do colegiado maior sobre prazo sucessivo ou simultâneo para apresentação das razões finais por corréus colaboradores e não colaboradores”, escreveu Fachin.

Na terça, a Segunda Turma anulou a condenação de Bendine porque a maioria entendeu que o ex-presidente da Petrobras deveria, como requereu sua defesa ao então juiz Moro, ter apresentado suas alegações finais depois dos outros réus que eram delatores, para ter a oportunidade de se defender das acusações feitas por eles na última etapa da ação.

Consequências
A decisão da Segunda Turma fez os procuradores da força-tarefa da Lava Jato manifestarem desagrado. Os procuradores de Curitiba alegam que não há previsão legal que exija essa diferenciação entre réus delatores e não delatores, portanto sem estipular que uns tenham que ser ouvidos antes dos outros.

O grupo também sustenta que passa a existir a possibilidade de “anulação de outras condenações” ou mesmo que alguns crimes prescrevam antes da nova sentença.

A defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva já disse que a ação penal sobre o sítio de Atibaia (SP), na qual o petista foi condenado em primeira instância, seguiu o mesmo roteiro da de Bendine e pode ter a sentença anulada.

Também nesta quarta, mais cedo, Fachin havia decidido que outra ação penal a que Lula responde, sob acusação de receber da Odebrecht um terreno para o Instituto Lula,  no valor de R$ 12,5 milhões, retorne à fase de alegações finais.