Dodge se despede da PGR valorizando “independência” e não cita Aras

Procuradora-geral da República, cujo mandato termina nesta terça, fez discurso com recados velados

Foto: Michael Melo/MetrópolesFoto: Michael Melo/Metrópoles

atualizado 16/09/2019 20:15

Em seu último evento público no cargo, a ainda procuradora-geral da República, Raquel Dodge, valorizou na noite desta segunda-feira (17/09/2019) a “autonomia e a independência” do órgão que chefiou nos últimos dois anos.

“O Ministério Público no mundo todo é independente e autônomo e só assim é possível compreender e cumprir o papel constitucional do órgão”, discursou ela, para uma plateia de servidores do MPF, na inauguração da nova sede da Escola Superior do Ministério Público da União, em Brasília.

Ao ser chamada ao palco, a procuradora-geral foi intensamente aplaudida pela plateia formada por servidores da PGR.

Dodge deixou de lado o discurso escrito que levou e usou a fala para agradecer a equipe, “porque se encerra um mandato e nosso trabalho foi coletivo”.

A procuradora-geral deu recados nas entrelinhas, como quando parabenizou o novo procurador-geral do Trabalho, Alberto Balazeiro, “que foi o mais votado por seus colegas”. A referência a votações internas foi muito aplaudida pelo público de servidores do MPF – ecoando críticas da categoria a não observação, pelo presidente Jair Bolsonaro (PSL), da eleição feita pelos servidores ao indicar o próximo procurador-geral, pois Augusto Aras não estava na lista tríplice.

Aras, aliás, não esteve presente no evento e não foi citado nem por Dodge nem pelas demais autoridades que discursaram.

“O Ministério Público não serve a pessoas, a governos, não se dobra a partidos políticos”, disse ainda a procuradora-geral nos momentos finais do discurso que fez, citando o ministro Celso de Mello, do STF, em fala na despedida dela própria na semana passada. “Permaneçam vigilantes”, disse ela aos servidores, que a aplaudiram de pé ao final do discurso.

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