CVM multa Eike Batista em R$ 536,5 milhões

Empresário foi condenado nesta segunda-feira (27/05/2019) devido a negociações de emissão da OGX

Foto: Michael Melo/MetrópolesFoto: Michael Melo/Metrópoles

atualizado 27/05/2019 18:00

O empresário Eike Batista foi condenado, nesta segunda-feira (27/05/2019), pelo colegiado da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) ao pagamento de duas multas no valor global de cerca de R$ 536,5 milhões. A infração, considerada grave pela autarquia reguladora do mercado de capitais, é relativa a negociações de ações de emissão da OGX realizadas entre 24 de maio a 10 de junho de 2013, da OGX e da OSX  feitas de 27 de agosto a 3 de setembro, “de posse de informação relevante não divulgada ao mercado”.

Eike Batista recebeu também pena de inabilitação temporária, pelo prazo de sete anos, para o exercício de cargo de administrador ou de conselheiro fiscal de companhia aberta ou de outras entidades que dependem de autorização da CVM, por manipular preço das ações da OGX em infração ao Artigo 1º da Instrução CVM Número 8.

A primeira multa foi estabelecida pela CVM, autarquia vinculada ao Ministério da Economia, em R$ 440,780 milhões, e a segunda, em R$ 95,725 milhões.

Advogado vai recorrer
O advogado do empresário, Darwin Corrêa, disse que vai recorrer das penalidades ao Conselho de Recursos do Sistema Financeiro Nacional. Em nota enviada à Agência Brasil, Corrêa assegura que “a condenação foi manifestamente contrária à prova documental e testemunhal do processo”.

Segundo o advogado, “ficou provado em laudos contábeis que as vendas de ações realizadas tiveram justa causa, sendo decorrentes do vencimento antecipado de contratos pré-existentes, que contavam com garantia de ações que acabaram parcialmente alienadas”.

Darwin Corrêa acrescenta que, “no mesmo período considerado suspeito”, o empresário Eike Batista investiu no projeto exploratório cerca de 10 vezes mais do que o suposto “ganho indevido com perdas evitadas em razão do inexistente uso de informação privilegiada”.

Segundo a nota assinada por Darwin Corrêa, “esses investimentos no mesmo período questionado no processo fazem prova objetiva da boa-fé e total ausência de materialidade delitiva”.

Eike Batista foi preso pela Polícia Federal, há cerca de um ano, pela Operação Eficiência, braço da Lava Jato, e agora encontra-se em prisão domiciliar, não podendo sair de casa à noite. Ele também é obrigado a permanecer em sua residência nos fins de semana e feriados.

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