Cannabis: STJ suspende ações sobre autorização para plantio
Corte vai analisar autorizações para plantio de cannabis. Relatora apontou que tema é "extremamente controverso"

A primeira seção do Superior Tribunal de Justiça (STJ) suspendeu a tramitação de ações individuais ou coletivas que tratam sobre o cultivo de cannabis para fins medicinais ou industriais. A decisão do colegiado ocorreu depois que foi admitido incidente de assunção de competência (IAC), isto é, quando a Corte reconhece que o tribunal tem competência para julgar um caso com grande repercussão social.
A relatora, ministra Regina Helena Costa, ressaltou que o cultivo de variedades de cannabis é uma “questão extremamente controversa”. Dessa forma, no caso da autorização do plantio no país, a decisão acarretaria em uma série de providências judiciais e administrativas.
Regina Helena também lembrou que a utilização de produtos derivados da cannabis é regulado, no país, pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Hoje, mais de 20 medicamentos à base de canabidiol ou de outros canabinoides já foram autorizados pela agência.
A análise que será feita pelos ministros avalia “a possibilidade de concessão de Autorização Sanitária para importação e cultivo de variedades de cannabis que, embora produzam tetrahidrocanabinol (THC) em baixas concentrações, geram altos índices de canabidiol (CBD) ou de outros canabinoides, e podem ser utilizadas para a produção de medicamentos e demais subprodutos para usos exclusivamente medicinais, farmacêuticos ou industriais”.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesA ação foi proposta por uma empresa de biotecnologia, que solicitou autorização para importar sementes de cânhamo industrial para plantio, comercialização e exploração industrial. A variação utilizada não pode ser utilizada para a produção de entorpecentes.
“O presente recurso encarta questão jurídica, econômica e social qualificada e de expressiva projeção, considerando o debate acerca do alcance da proibição de cultivo de plantas que, embora produzam THC em concentração incapaz de produzir drogas, geram altos índices de CBD, substância que não gera dependência e pode ser utilizada para a produção de medicamentos e de outros subprodutos com fins exclusivamente medicinais, farmacêuticos e industriais”, argumenta a ministra relatora.



