Assessor de Bolsonaro vira réu por gesto racista no Senado

O MPF denunciou Filipe Martins, alegando que ele tinha "consciência do conteúdo, do significado e da ilicitude" do ato praticado

atualizado 23/06/2021 21:03

Filipe Martins fez um gesto associado a supremacistas brancos durante uma audiência no SenadoTV Senado/Reprodução

O juiz Marcus Vinicius Reis Bastos, da 12ª Vara Federal de Brasília, aceitou a denúncia do Ministério Público Federal (MPF) e tornou réu por gesto racista o assessor Filipe Martins, da Presidência da República. Com isso, ele passa a responder a uma ação penal, na qual pode ser condenado.

Em março, no Senado, o assessor ligado ao presidente Jair Bolsonaro fez gestos utilizados por movimentos extremistas ligados à ideia de supremacia branca, fazendo referência à expressão “White Power”.

Na denúncia, o MPF alegou que Filipe Martins “agiu de forma intencional e tinha consciência do conteúdo, do significado e da ilicitude do seu gesto”.

“A denúncia se fez acompanhar de documentos que lhe conferem verossimilhança”, escreveu o juiz na decisão. Ele determinou ainda que Martins seja citado para responder à acusação em 10 dias.

Leia a íntegra da decisão:

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O MPF também disse ter analisado o perfil e o histórico do assessor presidencial para chegar à conclusão de que o gesto foi intencional.

Segundo o órgão, Martins “apresenta padrão de comportamento e difusão de ideias ou símbolos extremistas”. A acusação citou mensagens publicadas por ele em redes sociais contendo frases, citações e referências históricas a “militantes racistas e assassinos”.

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