Gesto obsceno: Senado aprova voto de censura a assessor de Bolsonaro

Filipe Martins foi flagrado reproduzindo gesto que remete a sinais obscenos e símbolos utilizados por supremacistas brancos

atualizado 31/03/2021 22:28

Filipe Martins ao lado do presidente Bolsonaro Reprodução/Redes sociais

Senadores aprovaram, nesta quarta-feira (31/03), um voto de censura ao assessor especial do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) Filipe Martins. Há uma semana, durante sessão do Senado Federal, Martins foi flagrado reproduzindo gesto que remete a sinais obscenos e símbolos utilizados por supremacistas brancos.

O voto de censura partiu de requerimento oferecido pelo senador Fabiano Contarato (Rede-ES), um dia após o episódio. Na ocasião, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), permitiu a leitura do requerimento. No entanto, segundo ele, por questões dispostas no regimento interno, não seria possível votar a proposta na sessão desta noite.

Na leitura do requerimento, Contarato classificou o episódio como “racista e preconceituoso”. “[Filipe Martins] Comportou-se de forma completamente inadequada, desrespeitosa e quiçá criminosa enquanto o presidente dessa Casa proferia seu discurso de abertura. Compatíveis com o movimento supremacista branco”.

Segundo o parlamentar, esta não seria a primeira vez em que Martins reproduz símbolos utilizados pelos extremistas.

Ainda conforme Contarato, em 2019, o assessor especial do presidente teria compartilhado o poema de manifesto do terrorista Brenton Tarrant.

O criminoso foi preso após abrir fogo contra uma mesquita em Christchurch, na Nova Zelândia, em 2019. Cinquenta e uma pessoas morreram.

Veja o gesto feito pelo assessor: 

“Completamente inadequado”

Rodrigo Pacheco repudiou a conduta desrespeitosa do assessor especial do presidente. Na avaliação do senador, a ação de Martins configura “gesto completamente inapropriado”.

“Vendo as imagens, identificamos um gesto completamente inapropriado. Queremos uma vez mais repudiar todo e qualquer ato de racismo ou obsceno, dentro e fora do Senado”.

O presidente da Casa determinou que a Polícia Legislativa abra investigação sobre o episódio. O procedimento está em curso.

“Uma vez apontado o fato pelo senador Randolfe Rodrigues, imediatamente, determinei que a Secretaria-Geral da Mesa Diretora colhesse as imagens e as entregasse à Polícia Legislativa”, lembrou Pacheco, antes de pedir respeito à Casa. “Senado não é lugar de brincadeira”, disparou.

Ajeitando a lapela

Ainda na noite de ontem, o assessor afirmou que estava ajeitando a lapela do terno. Ele usou o Twitter para justificar as imagens em tom ácido: “Mentes doentias enxergaram um gesto autoritário numa imagem que me mostra ajeitando a lapela do meu terno”.

Veja post de Martins:

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