Justiça por Mari Ferrer: abaixo-assinado já tem 2,4 milhões de assinaturas

Intuito da petição virtual é "ajudar o caso a ganhar mais visibilidade" e impedir "que ele seja esquecido e abafado"

atualizado 03/11/2020 19:23

Reprodução

O site de petições Change.org abriu um abaixo-assinado que pede Justiça à influencer Mariana Ferrer, de 23 anos, humilhada pelo advogado de André Aranha, empresário acusado de tê-la estuprado em uma festa em 2018. Ele foi inocentado, sob a alegação de que cometeu “estupro culposo“. O caso gerou revolta nas redes sociais.

A petição já tem mais de 2,4 milhões de assinaturas. A intenção é de que o documento seja assinado por 3 milhões de apoiadores. No abaixo-assinado, consta que a mobilização é necessária “para ajudar o caso a ganhar mais visibilidade e que ele não seja esquecido e nem abafado”.

De acordo com a plataforma Change.org, esse é o segundo maior abaixo-assinado criado neste ano, no Brasil, e fica atrás apenas de um que pede justiça ao caso Miguel – menino de 5 anos que caiu de um prédio, em Recife, após ter sido deixado com a patroa da mãe.

“O manifesto está entre os que mais cresceram muito rapidamente, num curto período de tempo. Situações semelhantes aconteceram com dois abaixo-assinados em defesa da Amazônia, no ano passado, e com o caso Miguel, neste ano, por exemplo”, diz o site.

Audiência

Imagens da audiência de Mari Ferrer, para julgar o empresário André Aranha, obtidas pelo The Intecept Brasil, geraram grande repercussão.

De acordo com o promotor responsável pelo caso, não havia como o empresário saber, durante o ato sexual, que Mari não estava em condições de consentir a relação, não existindo assim “intenção” de estuprar.

Sendo assim, o juiz aceitou a argumentação de que André cometeu um “estupro culposo”, um “crime” não previsto na lei brasileira. Porém, como ninguém pode ser condenado por um crime que não existe, o réu foi absolvido.

O advogado Cláudio Gastão da Rosa Filho, responsável pela defesa do empresário, mostrou várias fotos de Mariana durante a audiência e definiu as imagens como “ginecológicas”. Em momento algum foi questionado por membros do Tribunal de Justiça catarinense sobre a relação das fotos com o caso.

Gastão também disse que “jamais teria uma filha do nível” de Mariana. Bastante incomodada, a influencer respondeu dizendo que está de roupa nas fotos e que elas “não têm nada demais”. A jovem ainda argumentou: “A pessoa que é virgem, ela não é freira não, doutor. A gente está no ano 2020”.

Lágrima de crocodilo

Ele continuou atacando Mariana. “Só aparece essa sua carinha chorando. Só falta uma auréola na cabeça. Não adianta vir com esse teu choro dissimulado, falso, e essa lágrima de crocodilo”.

Após essas falas, um dos membros do Tribunal de Justiça percebeu que Mariana chorava muito ao ouvir as palavras e perguntou se ela quer sair um pouco para se recompor.

Apesar de estar claramente emocionada, Mari responde as alegações. “Eu gostaria de respeito, doutor. Excelentíssimo, eu estou implorando por respeito no mínimo. Nem os acusados, nem os assassinos são tratados da forma que eu estou sendo tratada gente, pelo amor de Deus. Eu sou uma pessoa ilibada. Nunca cometi crime contra ninguém.”

A OAB de Santa Catarina e o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos solicitaram esclarecimentos ao advogado e ao TJ de Santa Catarina sobre a sua conduta durante o interrogatório.

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