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Eleições 2026Brasil

Janones reclama que canal “Exército do Lula” ficará fora do ar por 48h

Regras eleitorais determinam prazo de 48h para funcionamento de endereços eletrônicos que não foram informados no inicio da candidatura

13/10/2026 16:50, atualizado 13/10/2026 17:15
Câmara dos Deputados/Divulgação
André Janones deputado federal

O deputado federal André Janones (Rede-MG) reclamou, nesta terça-feira (13/10), que o canal no WhatsApp “Exército do Lula” ficará fora do ar por 48 horas, período que antecede a votação sobre o fim da escala de trabalho 6×1.

“ O canal vai ficar fora do ar por 48 horas, coincidência ou não, as 48 horas antes da votação do fim da escala seis por um”, declarou o parlamentar.

O período é determinado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A  campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) registrou a comunidade na Justiça Eleitoral como um de seus endereços eletrônicos, mas o canal só poderá voltar a publicar mensagens e receber novos seguidores após 48 horas do registro feito na Justiça Eleitoral.

Segundo Nunes Marques, o prazo está previsto nas regras eleitorais para endereços eletrônicos que não foram informados no registro inicial da candidatura. “A retomada do funcionamento do canal deve, portanto, observar o decurso desse prazo, contado da comunicação efetuada no registro de candidatura”, escreveu.

Janones reclamou que a interrupção de 48 horas vai deixar o canal inativo durante votação do fim da jornada de trabalho 6×1 — prevista para quarta-feira (14/10).

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Nunes Marques liberou o canal após um vaivém de decisões judiciais nos últimos dias. O magistrado havia, inicialmente, determinado a suspensão do canal, a pedido do senador Flávio Bolsonaro (PL), adversário de Lula no segundo turno da eleição presidencial.

O ministro havia condicionado a retomada das atividades ao registro do endereço na Justiça Eleitoral. A exigência foi cumprida pela campanha de Lula.

Na nova decisão, Nunes Marques reconheceu que a irregularidade foi corrigida e afirmou que não há mais justificativa para manter o bloqueio integral.

Defesa de Janones questiona decisão

A advogada de Janones, Priscilla Sodré, contestou a decisão do ministro Nunes Marques, de suspender o canal. Segundo ela, não há precedente para a imposição de regras diretamente ao administrador de um canal de WhatsApp.

“É uma regra que o presidente do TSE está impondo, está criando. Não existe precedente para o canal Exército do Lula, que é administrado pelo deputado”, afirmou a advogada.

Priscilla disse que a defesa já havia acionado o ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, corregedor-geral da Justiça Eleitoral, responsável pela primeira análise do caso. Segundo ela, Cueva havia concedido uma decisão liminar para solicitar informações antes de determinar a suspensão do canal.

“É uma decisão absurda: uma regra na resolução [prevê] que o canal de um candidato, que não é o caso, o deputado não é candidato. Uma vez informado no registro, só pode ser utilizado após 48 horas. Mas essa regra não deve ser aplicada a esse canal, é o que a gente defende”, disse Priscilla.

A advogada também questionou o pedido administrativo apresentado por Flávio Bolsonaro cerca de 40 minutos depois da decisão inicial. De acordo com ela, a portaria usada como fundamento para a medida prevê determinações às plataformas digitais, mas não dá ao presidente do TSE competência para ordenar a remoção de conteúdos diretamente a um administrador de canal.

“Não existe competência ao presidente, no processo administrativo, por meio desta portaria, para determinar a remoção de nenhum conteúdo, ainda mais no canal”, argumentou.

Priscilla afirmou ainda que a defesa questiona a competência para a adoção das medidas e destacou que o canal já existia antes da disputa judicial. Ela também levantou dúvidas sobre o enquadramento do espaço no WhatsApp como perfil de rede social ou site, o que, segundo a advogada, pode explicar por que a ferramenta não costuma ser informada pelos candidatos à Justiça Eleitoral.