Plenário do TSE decidirá futuro do “Exército do Lula” no WhatsApp
Cueva pediu análise em até 24h; TSE tem sessão virtual nesta segunda (12/10), mas caso ainda depende de inclusão na pauta

O plenário do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidirá se o canal de WhatsApp “Exército do Lula” poderá continuar no ar. Nesse domingo (11/10), o corregedor-geral da Corte, Ricardo Villas Bôas Cueva, restabeleceu provisoriamente o canal, horas depois de o presidente da Corte, Kassio Nunes Marques, determinar sua suspensão a pedido da campanha de Flávio Bolsonaro (PL).
Cueva determinou que sua decisão fosse submetida imediatamente ao plenário, na primeira sessão virtual disponível, e pediu análise urgente, “preferencialmente em até 24 horas”. Para o ministro, os elementos regularmente apresentados na investigação não são suficientes para justificar a suspensão de todo o canal.
“A eventual ilicitude de conteúdos específicos não se comunica, por presunção, à totalidade das manifestações veiculadas no mesmo espaço de comunicação”, diz a decisão
A inclusão do processo na pauta, no entanto, ainda precisa ser confirmada pelo presidente da Corte.
No plenário, os ministros terão de analisar não apenas se o canal deve permanecer ativo. Cueva também submeteu à Corte a discussão sobre a sobreposição de pedidos feitos a órgãos diferentes do próprio TSE.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesO plenário terá de analisar
- se havia provas suficientes para suspender todo o canal;
- os limites da atuação administrativa da Presidência do TSE;
- como tratar pedidos cautelares iguais apresentados por vias diferentes;
- os deveres de boa-fé, lealdade e cooperação processual.
Os 41 minutos
A disputa começou antes da suspensão. A ação de investigação judicial eleitoral (Aije) de Flávio contra Janones, Lula e Geraldo Alckmin foi distribuída à Corregedoria em 7 de outubro e já continha pedido para retirar integralmente o canal do ar.
No sábado (10/10), às 15h43, Cueva decidiu que a campanha deveria primeiro organizar as provas e informar se havia apresentado pedidos semelhantes em outros processos.
Às 16h24, apenas 41 minutos depois, a campanha de Flávio acionou a Presidência do TSE por uma via administrativa e voltou a pedir a suspensão do canal.
Nunes Marques acolheu a solicitação no domingo, sem aguardar a análise do corregedor na Aije, e deu três horas para a Meta retirar o “Exército do Lula” do ar.
Cueva reagiu. Na decisão, afirmou que a sequência dos atos gerava “preocupação quanto à preservação da competência jurisdicional previamente estabelecida”.
Mais adiante, alertou que vias processuais diferentes não podem se transformar em mecanismo de “escolha sucessiva do órgão julgador”.
Para o corregedor, também não havia, naquele momento, provas suficientes para justificar a suspensão de todo o canal.
Cueva permitiu que o “Exército do Lula” voltasse a receber mensagens e novos seguidores, mas proibiu a reprodução de conteúdos cuja ilicitude já tenha sido reconhecida pelo TSE.
Outra “guerra de ofícios”
O embate se deu um mês depois de outra disputa entre ministros do Judiciário entrar na campanha.
Em setembro, uma sequência de ofícios expôs o confronto entre Alexandre de Moraes e André Mendonça no Supremo Tribunal Federal (STF) sobre as investigações do Banco Master.
Moraes acusou Mendonça de omitir documentos. Mendonça rebateu as acusações, e outros ministros passaram a questionar a condução dos processos.
O embate no STF virou mote para candidatos à Presidência e levou integrantes da campanha de Lula a defender que o petista se descolasse da imagem de Moraes.
