Janaina Paschoal, sobre doações na Cracolândia: “Eles dão duas garfadas e descartam”
Deputada Janaina Paschoal foi alvo de polêmica ao criticar distribuição de marmitas na Cracolândia pelo padre Júlio Lancellotti
atualizado
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A deputada estadual Janaina Paschoal (PSL-SP) voltou a criticar a distribuição de marmitas na Cracolândia, na região central de São Paulo, conhecida pela concentração de usuários e traficantes de drogas. A parlamentar se envolveu em uma polêmica neste fim de semana ao criticar o padre Júlio Lancellotti pela doação de comida no local.
“Durante julho inteiro, eu me reuni com autoridades que trabalham na região. A quantidade de comida que se joga fora ali é de revoltar. O lixo que se produz com quentinhas e quentinhas. Eles dão duas garfadas e descartam. Pode ir lá, não estou mentindo. O problema é que a esquerda é barulhenta e ninguém tem coragem de dizer o contrário”, disse ao Metrópoles.
Em sua conta no Twitter no último domingo (8/8), Janaina disse que a doação de comidas naquela área “só ajuda o crime” e salientou que o tema “precisa ser discutido com honestidade”. Padre Júlio respondeu e declarou que a corrupção, e não as doações, mantém a Cracolândia ativa.
As pessoas que moram e trabalham naquela região já não aguentam mais. O Padre e os voluntários ajudariam se convencessem seus assistidos a se tratarem e irem para os abrigos. A distribuição de alimentos na Cracolândia só ajuda o crime. O tema precisa ser debatido com honestidade.
— Janaina Paschoal (@JanainaDoBrasil) August 8, 2021
A crítica da deputada veio após padre Júlio denunciar que a Polícia Militar tentou impedir a entrega de marmitas pela Pastoral do Povo da Rua, organização que o religioso coordena, na tarde de sábado (7/8).
Nesta segunda-feira, a deputada se mostrou surpresa com a repercussão das declarações, que suscitou debate nas redes sociais. “Eu não imaginava uma repercussão tão grande. Muito dinheiro público é enterrado na Cracolândia, que piora a cada dia. É preciso indagar, com honestidade, a quem a manutenção daquelas pessoas ali, daquela maneira, está ajudando.”
Em entrevista ao Metrópoles no fim de semana, padre Júlio explicou que, além de ser uma questão humanitária, a partilha de alimentos tem outro objetivo: “Estabelecer vínculos com os usuários”. “O alimento não é o fim. É a forma de estar próximos e buscar saídas”, afirmou.
Para a deputada, “qualquer ação, seja para prender traficantes, seja para estimular dependentes a se tratarem” é fortemente reprimida por ONGs e pelo Ministério Público, o que agrava ainda mais o problema. “Por que essas ONGs não vão fazer doações às crianças de Heliópolis, de Paraisópolis? Por que insistem em manter os dependentes naquela condição?”
Janaina ainda disse ser constantemente procurada por moradores da região da Cracolândia que reclamam de ver seus filhos crescerem “em meio a cenas de filme de zumbi”.












