Jacarezinho: polícia critica “ativismo judicial” e diz que cumpriu protocolos do STF

O subsecretário Operacional da Polícia Civil do Rio de Janeiro, Rodrigo Oliveira, disse que situação na comunidade era de "aberração"

atualizado 06/05/2021 18:18

Operação policial em Jacarezinho, Rio de JaneiroJOSE LUCENA/THENEWS2/ESTADÃO CONTEÚDO

Rio de Janeiro – Em coletiva de imprensa quanto à Operação Exceptis, deflagrada nesta quinta-feira (6/5) na comunidade do Jacarezinho, o subsecretário Operacional da Polícia Civil do Rio de Janeiro, Rodrigo Oliveira, criticou o “ativismo judicial” e disse que foram cumpridos todos os protocolos estabelecidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Desde junho do ano passado, a Corte suspendeu operações em favelas durante a pandemia. A decisão permite ações apenas em “hipóteses absolutamente excepcionais”, após comunicação e justificativa ao Ministério Público.

“A que se discutir o que é excepcionalidade, há algo superior, é uma aberração, as barricadas. A Polícia Civil sempre se fará presente. Vamos a qualquer lugar. Por força de um ativismo judicial, fomos impedidos de entrar em comunidades; isso fortalece o tráfico, expande seus domínios”, afirmou Rodrigo Oliveira.

Durante a operação, pelo menos 25 pessoas morreram, entre elas o policial civil André Frias.

“O sangue do policial morto está nas mãos de entidades que fazem ativismo”, afirmou o policial. “Temos lideranças de outros estados achando que ali a polícia não vai”, completou.

O ministro Edson Fachin, do STF, anunciou que vai levar a ação que discute a letalidade das forças policiais do Rio de Janeiro ao plenário virtual, no próximo dia 21 de maio.

Aliciamento

De acordo com o delegado, “fatos graves” foram investigados e constatados, como o aliciamento de crianças e adolescentes pela facção criminosa que domina a região. ‘Não há que se comemorar o resultado. Mas não é aceitável que crianças e filhos de trabalhadores sejam aliciados. “Os senhores viram a reação, eles atiraram para confrontar o Estado e matar o policial.”

A corporação explicou que agiu num tripé baseado em inteligência, apuração e ação, após mais de dez meses de investigação. Foram emitidos 21 mandados de prisão.

“O garoto começa, de alguma forma, cooptado, fazendo pequenos serviços até chegar a ser o chefe do tráfico. O Estado deixar de se fazer presente e o outro lado se fortalece. Quando a polícia não entra, o traficante vira líder. Aquela criança precisa perceber que o crime não compensa”, destacou o subsecretário.

 

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Levantamento realizado pelo Instituto Fogo Cruzado mostra que a Operação Exceptis, deflagrada pela Polícia Civil nesta quinta-feira (6/5), na comunidade do Jacarezinho, é a mais letal da história do Rio de Janeiro. Até as 15h, 25 pessoas haviam sido mortas – entre elas, um policial civil.

Sequestro de trens

Ao justificar a operação, a Polícia Civil disse que a facção criminosa que atua na região age de forma semelhante a grupos terroristas, fazendo até o sequestro de trens da SuperVia.

Segundo as investigações, os criminosos têm “estrutura típica de guerra”, com centenas de “soldados munidos com fuzis, pistolas, granadas, coletes balísticos, roupas camufladas e todo tipo de acessórios militares”.

O grupo, considerado um dos quartéis-generais da facção Comando Vermelho na região, alicia crianças e adolescentes para praticar crimes, como o tráfico de drogas, roubos e homicídios.

André Frias, agente da Delegacia de Combate às Drogas (Dcod), morreu após ser baleado na cabeça. Levado ao Hospital Municipal Salgado Filho com quadro clínico considerado grave, ele não resistiu.

Outros dois policiais agentes foram atingidos de raspão, no braço e panturrilha, e têm quadros estáveis. Ao todo, 21 traficantes foram identificados e são procurados pela polícia local. Segundo a Polícia Civil, são 24 suspeitos mortos e o agente.

De acordo com a corporação, entre os mortos, estão 24 criminosos. Até o início da tarde, seis pessoas tinham sido presas. Foram apreendidas muitas armas e até munição antitanque.

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